Parecer de superintendência do Cade vai contra união ALL-Rumo

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 13:14 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta terça-feira que a superintendência-geral do órgão de defesa da competição identificou preocupações concorrenciais sobre a fusão entre a transportadora ferroviária ALL e a Rumo Logística, do grupo de infraestrutura e energia Cosan.

Com isso, a superintendência impugnou a operação que prevê a incorporação da ALL pela Rumo perante o tribunal do Cade.

A proposta de fusão da ALL com Rumo a envolve a formação de uma gigante do setor de logística no Brasil avaliada em cerca de 11 bilhões de reais.

A ALL é a maior operadora ferroviária do Brasil. A Rumo, do grupo Cosan, atua no mercado de serviços de logística multimodal para exportação de açúcar pelo Porto de Santos.

Após consultar o mercado sobre a operação, a superintendência-geral concluiu em parecer que a união pode gerar riscos de limitação de acesso à infraestrutura da nova empresa, assim como práticas discriminatórias em relação aos demais usuários, apesar dos potenciais efeitos benéficos em termos de ampliação da capacidade ferroviária.

O parecer destaca que a Cosan, controladora da nova empresa, utilizaria a ferrovia para transporte de carga própria e que a companhia fruto da união entre ALL e Rumo deteria o controle de toda a cadeia logística de exportação de granéis vegetais pelo Porto de Santos (SP).

"Nesse contexto, a empresa tem evidente capacidade de adotar condutas que coloquem em desvantagem rivais atuantes nas mais diversas etapas dessa cadeia", diz o parecer.

A superintendência pondera que eventuais estratégias discriminatórias, possivelmente difíceis de detectar, poderiam criar dificuldades de funcionamento e aumento de custos para concorrentes em setores fundamentais da economia, como a exportação de commodities agrícolas, a distribuição de combustíveis e a prestação de serviços logísticos.   Continuação...

 
Trens com carregamento de soja estacionados no porto de Paranaguá, em Curitiba. 15/03/2011. REUTERS/Rodolfo Buhrer