CPFL diz que reajuste tarifário extraordinário pode ser necessário

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 19:51 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr., disse nesta quarta-feira que um reajuste extraordinário de tarifas de energia aos consumidores é uma possível solução para aliviar os gastos de curto prazo das distribuidoras de eletricidade.

As distribuidoras terão que, já no início do ano que vem, cobrir um rombo de cerca de 3,9 bilhões de reais na conta de comercialização de energia de Itaipu e, além disso, espera-se que até fevereiro tenham que desembolsar no mínimo 3 bilhões de reais para honrar operações realizadas no mercado de curto prazo em novembro e dezembro deste ano.

"A melhor solução para a distribuidora é a revisão extraordinária da tarifa, dada a magnitude", disse a jornalistas Wilson Ferreira Jr., após encontro com investidores que celebrou dez anos da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia.

Conforme as regras atuais, essa conta de Itaipu é paga de imediato no início do ano que vem pelas distribuidoras para somente ser repassada aos consumidores nos próximos reajustes anuais de tarifas.

Somente a conta de Itaipu representaria um aumento de cerca de 12 por cento nas tarifas de energia de consumidores atendidos por distribuidoras da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "Doze por cento de aumento é uma pancada e eu não consigo carregar", disse o executivo sobre o gasto que as distribuidoras teriam que a arcar.

O rombo no saldo da conta de comercialização de energia de Itaipu vem sendo coberto com recursos captados pela Eletrobras. Esse saldo negativo na conta ocorreu pela elevação dos gastos no mercado de energia de curto prazo para suprir o déficit da geração hidrelétrica -- problema enfrentado por geradoras hídricas num cenário hidrológico adverso em que o nível das represas do país está muito baixo.

Outra alternativa, segundo o executivo, seria criar "contas gráficas" para as distribuidoras com Itaipu, na qual seriam acumulados débitos e créditos entre as partes que seriam acertados na data de reajuste das tarifas dos consumidores, que ocorrem ao longo do ano. Mas nesse caso, a Eletrobras teria que segurar esse déficit até as datas dos reajustes anuais.

"Não sei qual é a situação que Itaipu tem, qual a necessidade que tem de receber imediatamente esse reajuste. É algo que o governo tem que avaliar", disse.   Continuação...