ENTREVISTA-Lançamentos de imóveis podem ter recuperação no 2o semestre de 2015, diz associação

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 08:40 BRST
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os lançamentos de imóveis no Brasil devem mostrar alguma recuperação no segundo semestre de 2015, depois de um ano que mostrou maior seletividade das empresas para novos empreendimentos, descontos agressivos e vendas mais tímidas.

Os primeiros seis meses do próximo ano ainda deverão ser marcados por maior cautela de companhias do setor devido aos ajustes que deverão ser implementados pela nova equipe econômica do governo federal, de acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Renato Ventura.

"A partir do segundo semestre achamos que, aí sim, se espera um cenário de maior crescimento dos lançamentos, depois da maturação dos tais ajustes econômicos", disse o executivo à Reuters.

O ano de 2014 foi marcado pelo foco na venda de estoques de imóveis das companhias, que foram mais agressivas em relação a anos anteriores em descontos e ações promocionais. O estoque elevado se deu por um maior nível de entregas de projetos este ano, encerrando um ciclo de construção iniciado em 2010, disse Ventura.

Ao final do terceiro trimestre, o estoque a valor de mercado de seis empresas listadas no Ibovespa - Rossi Residencial, Cyrela, Gafisa, Even, MRV e PDG Realty - era de 17,7 bilhões de reais, 24,3 por cento abaixo dos 23,4 bilhões de reais registrados ao final de março.

Em 2010 e 2011, o setor atingiu um pico de lançamentos, e depois muitas empresas tiveram que lidar com problemas como aumento de custos e cancelamento de vendas, o que acabou levando a prejuízos e necessidade de reestruturação, caso de companhias abertas como Rossi e PDG.

"(Em 2014), o que se teve foi um comportamento mais cauteloso do comprador. As empresas acabaram sendo mais seletivas nos lançamentos, aprofundaram conhecimento dos mercados, buscaram analisar estoques, inovar em produtos e tiveram oportunidades de melhorias operacionais importantes", disse o executivo.

Segundo dados do Secovi, sindicato de habitação de São Paulo, o mercado mais representativo do país, as vendas de unidades residenciais novas na capital paulista caíram 44,7 por cento no acumulado do ano até outubro e os lançamentos recuaram 16,1 por cento sobre o mesmo período de 2013.   Continuação...