Inflação segue elevada, mas entrará "em longo período de declínio" em 2015, diz BC

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 11:34 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central vê a inflação brasileira subindo no curto prazo e seguindo em alta em 2015, sob a pressão do câmbio e dos preços administrados, mas ainda no próximo ano ela inicia um "longo período de declínio", indicando que o atual ciclo de aperto monetário pode não ser tão forte quanto os vistos no passado.

Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC justificou a decisão da semana passada de acelerar "neste momento" a alta da Selic a 0,5 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, argumentando que o balanço de riscos para a inflação está "menos favorável".

Mas repetiu que os efeitos cumulativos e defasados da política monetária sustentam a visão de que o "esforço adicional" deve ser feito com "parcimônia". Na semana passada, boa parte dos especialistas havia entendido que o BC deixara em aberto a possibilidade de voltar a desacelerar em breve o aperto.

Isso porque, na avaliação deles, o BC está à espera de sinais concretos de como será a política fiscal da nova equipe econômica, formada por Tombini e os ministros indicados Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento).

O novo ciclo de aperto começou em outubro passado, quando o BC elevou a Selic em 0,25 ponto percentual.

"Está em aberto o próximo aumento (da Selic, em janeiro), mas parece que o tamanho do ajuste total não vai ser muito forte", afirmou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, para quem o BC elevará a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual no próximo encontro do Copom e, em seguida, fará outra de 0,25 ponto, levando a Selic a 12,50 por cento no final do ciclo de aperto.

No mercado futuro de juros, segundo dados da Reuters, as apostas majoritárias são de que a Selic será elevada em 0,5 ponto no próximo mês.

As colocações na ata repetem parte do discurso feito por Tombini na terça-feira em audiência pública no Congresso Nacional, quando já havia dito que a inflação continuaria pressionada nos próximos meses, mas que o BC trabalha para colocá-la em trajetória de convergência para o centro da meta até final de 2016.   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília. 22/09/2011. REUTERS/Ueslei Marcelino