Eletrobras acertará dívida de R$9 bi com Petrobras; operação prevê emissão

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 13:21 BRST
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - Deve ser concluído ainda esta semana o acordo de repactuação de dívida de cerca de 9 bilhões de reais da Eletrobras junto à Petrobras, em uma operação que prevê emissão de títulos pela estatal do petróleo, disse nesta quinta-feira o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a jornalistas.

A dívida refere-se ao fornecimento de óleo da Petrobras para usinas termelétricas da região Norte.

Segundo Lobão, a emissão de títulos da Petrobras será ainda neste ano.

"Assina-se o contrato de reconhecimento da dívida entre Eletrobras e Petrobras e aí a Petrobras vai ao mercado financeiro emitir papel, com a garantia do Tesouro Nacional", disse Lobão a jornalistas, após balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O ministro afirmou durante evento em Brasília que dois terços da dívida da Eletrobras com a Petrobras são de responsabilidade do Tesouro, via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Desde 2012, a CDE assumiu, entre outras obrigações, as que antes ficavam a cargo da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), encargo usado para subsidiar a compra de óleo para as termelétricas dos sistemas isolados da região Norte.

Acontece que a CDE deixou de repassar à Eletrobras parte dos montantes destinados à compra do óleo. Por isso, segundo Lobão, dos 9 bilhões de reais totais da dívida, apenas um terço seriam efetivamente devidos pela Eletrobras – o restante, ficará a cargo do Tesouro, via CDE.

"A Eletrobras tem uma parte pequena da dívida e o Tesouro deve à Eletrobras o repasse do recurso que antigamente era da CCC e agora é da CDE", disse o ministro. "O Tesouro repassará à Eletrobras, que por sua vez pagará (a dívida)", completou.

Segundo uma fonte do governo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda precisa reconhecer parte dos recursos devidos pela CDE para a Eletrobras para que o repasse efetivamente ocorra.

 
Sede da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro. 20/09/2014. REUTERS/Pilar Olivares