Dólar em alta vai trazer mais dificuldade para BC domar a inflação

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 16:35 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - A recente alta do dólar sobre o real vai continuar pressionando a inflação brasileira especialmente em 2015, quando a moeda norte-americana ainda deve reagir a possíveis mudanças no programa de intervenção no câmbio no Brasil e à alta de juros nos Estados Unidos, dificultando a vida do Banco Central na condução da inflação de volta para o centro da meta.

Segundo cálculos de especialistas consultados pela Reuters, o impacto de uma alta de 10 por cento do dólar sobre os preços em geral é de 0,3 a 0,6 ponto percentual ao longo de 12 meses. E considerando que o IPCA, índice oficial de inflação, não dá sinais de arrefecimento, esse movimento do câmbio pode custar o cumprimento da meta do governo --de 4,5 por cento com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

"O Banco Central tem muitos motivos para manter o aperto monetário", disse o estrategista para América Latina do Barclays, Bruno Rovai, que vê impacto de 0,40 ponto no IPCA em 12 meses a cada 10 por cento de alta do dólar frente o real.

O BC já reconheceu que a forte alta do dólar é um dos problemas a ser enfrentado diante dos ajustes de preços relativos --leia-se câmbio e preços administrados. Não por menos, a autoridade monetária acelerou o passo do atual ciclo de aperto dos juros.

Em novembro, o IPCA subiu 0,51 por cento, acumulando alta de 6,56 por cento em 12 meses. Segundo pesquisa Focus do BC com economistas de instituições financeiras, o índice deve acumular neste ano uma alta de 6,38 por cento. A variação do IPCA iria a 6,50 por cento em 2015, desacelerando a 5,50 por cento tanto em 2016 como em 2017.

Apenas entre setembro e novembro, a moeda norte-americana teve valorização de quase 15 por cento sobre o real.

As perspectivas para o rumo do dólar são de ainda mais pressão, com a possibilidade de mudanças no programa de intervenção diária no câmbio feito pelo BC e o início do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que tem potencial para levar investidores a transferirem recursos hoje aplicados em mercados mais arriscados, como o Brasil, para a maior economia do mundo.

A estimativa de economistas é que a moeda norte-americana termine 2015 a 2,70 reais, segundo a última pesquisa semanal Focus.   Continuação...