Petrobras adia novamente divulgação de balanço por "novos fatos" da Lava Jato

sábado, 13 de dezembro de 2014 00:01 BRST
 

Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras adiou a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a "novos fatos" relacionados à operação Lava Jato que investiga um suposto esquema de corrupção na estatal.

O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente, informou a estatal em fato relavante nesta sexta-feira.

A Petrobras divulgou apenas alguns indicadores operacionais e informações econômico-financeiras que acredita não serão afetados por eventuais baixas contábeis que possivelmente terão que ser feitas por conta dos resultados das investigações.

O endividamento líquido da empresa fechou o terceiro trimestre em 261,45 bilhões de reais, aumento de 35,5 por cento em relação período do ano passado. Da dívida total de 331,7 bilhões de reais, 28,2 bilhões de reais vencem no curto prazo.

Este foi o segundo adiamento da divulgação dos resultados, esperada inicialmente para o início de novembro, por conta da Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

O adiamento da divulgação e as incertezas relativas às investigações estão deixando a Petrobras com menos opções de financiamento de seu gigantesco plano de investimento.

Mas a estatal informou nesta sexta-feira que está adotando uma série de medidas que visam eliminar a necessidade de captação de recursos no próximo ano, como a "redução do ritmo dos investimentos projetados" e a antecipação de recebíveis.

"Essas ações asseguram fluxo de caixa livre positivo no próximo ano, considerando preços de petróleo em torno de 70 dólares por barril e taxa de câmbio em torno de 2,60 reais por dólar", disse a estatal em fato relevante.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro, em novembro. 14/11/2014 REUTERS/Sergio Moraes