Primeiro-ministro do Haiti renuncia em meio a protestos

domingo, 14 de dezembro de 2014 12:36 BRST
 

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, sucumbiu à pressão interna e internacional no domingo e anunciou que renunciaria em um discurso televisionado no meio da noite.

"Eu estou deixando o cargo de primeiro-ministro esta noite, com um sentimento de dever cumprido", disse ele.

O anúncio foi feito um dia depois de o presidente Michel Martelly aceitar as recomendações de uma comissão especial, que pediu a renúncia de Lamothe como parte de um esforço para resolver uma disputa política de longa data sobre um grande atraso nas eleições legislativas e municipais.

O Haiti, o país mais pobre e mais desigual do hemisfério ocidental, ainda está se recuperando de um terremoto que aconteceu há cinco anos e destruiu grande parte da capital, Porto Príncipe, e nas últimas semanas tem sido abalado por protestos de rua que acusam o governo de corrupção e pedem a renúncia de Lamothe e Martelly.

No sábado, milhares de manifestantes saíram às ruas em várias cidades e um homem foi morto a tiros pela polícia perto das ruínas do palácio presidencial.

Lamothe disse que estava saindo com a cabeça erguida, citando o "trabalho notável" do governo. "Nós colocamos esse país em uma dinâmica de profunda e verdadeira mudança para o benefício da população", disse ele.

Não ficou claro quando um novo primeiro-ministro seria empossado, mas sua saída marcou o fim de uma aliança estreita entre Martelly e Lamothe, amigos e parceiros de negócios.

Lamothe, que estudou em uma universidade de Miami, tem o crédito de ter ajudado a gerir projetos-chave de infra-estrutura após assumir o cargo em maio de 2012, mas caiu em desgraça neste ano por alegações de que ele estava aproveitando o orçamento para impulsionar suas próprias ambições presidenciais.

Ele também é acusado por críticos de falta de transparência na gestão dos fundos do programa de combustível Petrocaribe da Venezuela.

Se as eleições não forem realizadas antes de 12 de janeiro, o parlamento será fechado e Martelly terá de governar por decreto.

(Por Amelie Baron, texto de David Adams)