Depois de anos adormecida, Espanha lentamente volta a construir moradias

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 12:36 BRST
 

MADRI (Reuters) - Em uma rua no centro de Madri, Juan José Perucho indica onde ele construirá um dos maiores blocos residenciais da capital após comprar um terreno maior que cinco campos de futebol da rede de metrô estatal.

"Vendemos mais rapidamente do que em qualquer outro momento neste projeto", disse o chefe da companhia imobiliária de capital fechado Grupo IBOSA sobre o projeto, que terá uma torre de 25 andares com piscina e jardins suspensos.

"Nunca vi algo assim em meus 24 anos no negócio".

A Espanha está construindo novamente após sete anos de uma crise arrebatadora no setor, com investimentos na construção de moradias registrando a primeira alta trimestral desde antes da crise nos três meses de junho a setembro.

Porém, embora isso seja um sinal da confiança dos espanhóis em sua economia em recuperação, a construção não deve retornar aos níveis pré-crise, deixando um déficit na atividade econômica que ainda precisa ser preenchido por algum outro setor.

A construção espanhola é responsável por 5 por cento da produção do país em comparação a 10 por cento nos anos de crescimento, ou um déficit anual de cerca de 50 bilhões de euros (62 bilhões de dólares), e emprega menos da metade do que antes da crise de 2008 no setor imobiliário, sem nenhuma perspectiva rápida de uma forte recuperação.

Os bancos, com 161 bilhões de euros de dívidas de construtores de moradias pesando nos balanços contábeis, muito disso em default, estão muito cautelosos sobre a concessão de empréstimos a projetos e estão se concentrando sobre projetos de alto padrão em Madri e Barcelona, onde os preços estão subindo.

Mesmo sob condições estritas, a quantidade de projetos cresceu ante o ano anterior, em grande parte devido ao dinamismo de Madri e Barcelona. Em Madri, o conselho da cidade emitiu 3.131 permissões de construção para uso residencial nos primeiros dez meses de 2014, mais do que concedeu em todo o ano de 2013.

(Por Sonya Dowsett)