MPF denuncia outro ex-diretor da Petrobras, doleiro e operador de esquema

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 20:10 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério Público Federal denunciou, na noite de domingo, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e outros três suspeitos de participação no esquema de corrupção na estatal investigado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Além de Cerveró, os procuradores denunciaram Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, acusado de ser operador do esquema, o doleiro Alberto Youssef, e Júlio Gerin de Almeida Camargo, da empreiteira Toyo Setal.

Eles foram denunciados por prática de corrupção contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de capitais, crimes que teriam ocorrido entre 2006 e 2012.

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse à Reuters por e-mail que a denúncia "espelha apenas ilações do Ministério Público Federal despidas de provas" e que foi produto de "açodamento" do MPF.

"Quanto aos pretensos fatos delituosos, Nestor Cerveró nega, veementemente, que os tenha praticado", escreveu o advogado, acrescentando que as contratações feitas pela diretoria então comandada por seu cliente foram "legítimas e totalmente regulares".

Fernando Baiano é apontado como o operador do PMDB no suposto esquema de desvio de recursos da Petrobras, que também inclui repasse ilegal para o PT e o PP, segundo denúncia do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

O Ministério Público Federal pediu, ainda, o ressarcimento no valor de aproximadamente 156 milhões de reais, sem prejuízo do confisco de aproximadamente 140 milhões de reais provenientes de crime. "Busca-se, assim, um retorno aos cofres públicos de 296 milhões de reais."

Cerveró negou qualquer conhecimento e envolvimento em corrupção na estatal, em acareação recente na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, do Congresso Nacional, realizada com Costa, que denunciou diversas irregularidades sob acordo de delação premiada.

De acordo com a denúncia do MPF, em 2006, o então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e o lobista e operador financeiro Fernando Soares acertaram com Julio Camargo o pagamento de vantagens indevidas no valor aproximado de 15 milhões de dólares para que fosse viabilizada a contratação, pela Petrobras, do Navio-Sonda Petrobras 100000 com o estaleiro Samsung Heavy Industries no valor de 586 milhões de dólares.   Continuação...

 
O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, em Brasília. 02/12/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino