Inflação atingirá pico no 1º tri de 2015 e deve começar a recuar no 2º tri, diz Tombini

terça-feira, 16 de dezembro de 2014 14:52 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira que a inflação no país atingirá seu pico no primeiro trimestre de 2015 e, no trimestre seguinte, o cenário mais provável é de que ela inicie processo de declínio.

Tombini, que participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, repetiu ainda que a inflação acumulada em 12 meses tende a permanecer elevada no próximo ano e que o BC trabalha para fazer com que ela retorne à trajetória de convergência ao centro da meta até o final de 2016.

A meta de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. O indicador tem permanecido acima do teto em 12 meses, como em novembro, quando atingiu 6,56 por cento.

"Estou convencido de que, após um curto interregno possivelmente em elevação, a inflação em doze meses iniciará um longo período de declínio --que no cenário mais provável se inicia no segundo trimestre de 2015-- vai culminar com o atingimento da meta", afirmou ele.

Tombini voltou a dizer que a autoridade monetária trabalha, "neste momento", para fazer com que a inflação retorne "o mais rápido possível à trajetória de convergência para a meta", referindo-se até o final de 2016.

O BC deu início ao atual ciclo de aperto monetário em outubro passado, e já elevou a Selic ao atual patamar de 11,75 por cento ao ano, indicando que deve continuar puxando a taxa básica de juros no curto prazo para domar a inflação.

O presidente do BC disse ainda que a inflação continua elevada por causa do câmbio e dos preços administrados. O dólar, entre setembro e novembro, acumulou alta de quase 15 por cento sobre o real e, nesta sessão, aproximou-se de 2,76 reais, maior nível intradia em quase dez anos.

"Estamos de novo olhando para efeitos secundários da depreciação do real e buscando contê-los", afirmou Tombini.   Continuação...

 
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central. REUTERS/Ueslei Marcelino (BRAZIL - Tags: BUSINESS HEADSHOT)