Levy admite possibilidade de alta de impostos em ajuste fiscal

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 10:33 BRST
 

(Reuters) - O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu a posssibilidade de alta de impostos no conjunto de medidas necessárias para equilibrar as contas públicas, e destacou que quando ajustes são feitos de maneira firme e equilibrada a reação da economia é "muito rápida".

Questionado em entrevista à TV Globo exibida nesta quarta-feira sobre elevar a alíquota da Cide sobre a gasolina, Levy respondeu que "é uma possibilidade, existem outras".

A alíquota da Cide, um tributo que incidia sobre combustíveis, foi zerada pelo governo em 2012.

"(O ajuste) tem que ser balanceado... e na medida do necessário a gente pode considerar também algum ajuste de impostos, sempre olhando a compatibilidade com o objetivo de aumentar a taxa de poupança", disse ele.

Sobre a economia brasileira, que saiu da recessão técnica no terceiro trimestre com uma expansão mínima de 0,1 por cento, Levy destacou que a "experiência mostra que quando se faz ajustes de maneira firme e equilibrada a reação é muito rápida".

Ele ainda disse acreditar que a inflação irá entrar em processo de queda em devido momento diante do trabalho fiscal, e considera que o Banco Central está vigilante e tomará medidas adequadas.

Em outubro, o BC iniciou um novo ciclo de alta do juro básico da economia brasileira, que agora se encontra em 11,75 por cento ao ano, como forma de combater mais duramente a inflação.

Depois de o dólar ter chegado a bater 2,76 reais na terça-feira no mercado brasileiro, Levy disse que é preciso ver como a cotação da moeda norte-americana vai evoluir, uma vez que a queda do petróleo traz aversão ao risco e há tendência de alta do dólar diante do crescimento da economia dos Estados Unidos.

Questionado ainda sobre se o Tesouro poderia socorrer a Petrobras, que passa por uma das maiores crises de sua história diante de denúncias de corrupção, Levy disse que a capacidade de reação da petroleira é forte e que ela saberá como se ajustar.   Continuação...

 
Futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no Palácio do Planalto, em Brasília. 27/11/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino