Petrobras quer evitar mais atrasos do balanço; deve investir menos em 2015

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 16:06 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nesta quarta-feira que ficará no cargo enquanto a presidente Dilma Rousseff quiser, mas não descartou eventual saída de toda a diretoria da estatal para que a publicação do balanço financeiro, que está atrasada, possa ocorrer.

"Hoje estou aqui presidente da Petrobras enquanto eu contar com a confiança da Presidência, e ela entender que eu deva ficar", afirmou Graça Foster, como prefere ser chamada, durante café da manhã com jornalistas.

"Minha motivação é não travar a assinatura do balanço da Petrobras por conta da investigação", acrescentou ela, temendo que a permanência da diretoria possa atrasar mais a publicação dos resultados da empresa.

Na última sexta-feira, a Petrobras adiou novamente a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a "novos fatos" relacionados à operação Lava Jato que investiga um suposto esquema de corrupção na estatal.

O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente.

Segundo a executiva, a atual diretoria precisa ter uma sinalização positiva de que está em condições de permanecer, do ponto de suas práticas de governança, e para isso necessita ser investigada, o que poderá atrasar ainda mais a publicação do balanço da companhia.

"Eu preciso ser investigada, nós precisamos ser investigados, isso leva tempo", afirmou, explicando que os escritórios independentes contratados para realizarem auditorias na empresa têm contratos de um ano, mas que isso pode levar mais tempo.

A operação Lava Jato da Polícia Federal, que já resultou na aceitação de várias denúncias pela Justiça Federal nesta semana, investiga um esquema de corrupção em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, o que afetou a assinatura do balanço do terceiro trimestre por auditores independentes.

"Nós nos enfrentamos com a evidência de que nós não estávamos prontos para apresentar o balanço para a Price (PriceWaterhouseCoopers), porque não foi a Price que disse que não assinava, nós é que não estávamos prontos", afirmou Graça Foster, citando as investigações.   Continuação...

 
Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. REUTERS/Sergio Moraes  (BRAZIL - Tags: POLITICS BUSINESS ENERGY CRIME LAW HEADSHOT)