Putin diz que economia da Rússia vai se recuperar, mas não oferece saída

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 13:23 BRST
 

Por Timothy Heritage e Alexei Anishchuk

MOSCOU (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, garantiu nesta quinta-feira que a economia vai se recuperar após a dramática queda do rublo neste ano, mas não ofereceu nenhuma solução para a crise financeira que se aprofunda.

Em entrevista coletiva de três horas, Putin atribuiu os problemas econômicos a fatores externos e disse que a crise em torno da Ucrânia foi causada pelo Ocidente, que ele acusou de construir um muro de Berlim "virtual" para conter a Rússia.

Putin algumas vezes até fez piadas, apesar da pressão para consertar a economia, que está caminhando para a recessão em meio ao que seu ministro da Economia chamou de "tempestade perfeita" que inclui baixos preços do petróleo, as sanções do Ocidente sobre a Ucrânia e os problemas econômicos globais.

O rublo caiu cerca de 45 por cento em relação ao dólar neste ano, e sofreu quedas particularmente acentuadas na segunda-feira e terça-feira, mas Putin disse que sua eventual ascensão era inevitável e evitou usar a palavra "crise".

"Se a situação se desenrolar desfavoravelmente, teremos que ajustar nossos planos. Sem dúvida, teremos que cortar alguns (gastos). Mas uma virada positiva da situação atual é inevitável", disse Putin.

"O crescimento da economia global continuará e nossa economia vai se recuperar a partir da situação atual", disse ele.

Ele disse que a Rússia tem que diversificar sua economia para reduzir a dependência do petróleo, seu principal produto de exportação e uma fonte importante de receita estatal, e que uma recuperação pode ter início em algum momento do ano que vem.

Um forte opositor, o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov disse que a crise mostra que Putin administrou mal a economia e que ele deveria organizar eleições livres para acabar calmamente com seu domínio de quase 15 anos da Rússia.   Continuação...

 
Presidente russo, Vladimir Putin, durante sua coletiva de imprensa anual de fim de ano, em Moscou. 18/12/2014. REUTERS/Maxim Zmeyev