Entrada de Abilio Diniz no Carrefour Brasil reacende discussão sobre conflito de interesses

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 13:02 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A entrada de Abilio Diniz no Conselho de Administração da unidade brasileira do Carrefour traz novamente à tona a questão de possível conflito de interesses, uma vez que o empresário também comanda o Conselho de Administração da BRF, importante fornecedora da segunda maior varejista do país.

O assunto já havia acirrado ânimos em 2013, ano em que Abilio, ainda presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar, foi nomeado para a presidência do Conselho da fabricante de alimentos BRF.

Na época, o francês Casino, controlador do GPA, cobrou a renúncia de Abilio do conselho da companhia fundada por seu pai, apontando "evidente conflito de interesses, decorrente das intensas e relevantes relações entre as duas empresas".

O assunto foi resolvido com a saída definitiva de Abilio do GPA em setembro do ano passado, quando abriu mão de todos os direitos políticos na companhia após intensa troca de farpas com o sócio francês, sendo liberado da cláusula que estabelecia não competição com a empresa.

O retorno do empresário ao varejo de supermercados, agora ao lado do maior rival do GPA no Brasil, abre caminho para o mesmo questionamento: com operações de varejo alimentar semelhantes em termos de receita, tanto Carrefour quanto GPA têm a BRF, dona de marcas como Sadia e Perdigão, entre seus principais fornecedores.

Em 2013, as vendas do Carrefour no país somaram 34 bilhões de reais, ao passo que o faturamento bruto da divisão alimentar do GPA - que compete diretamente com o Carrefour por meio das bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Assaí - chegou a 34,6 bilhões de reais.

Da mesma forma que na época do conflito com o GPA, Abilio também possui ações nas duas empresas. O empresário é dono de participação próxima a 3 por cento da BRF, segundo fonte próxima ao empresário. Nesta quinta-feira, ele anunciou a compra de 10 por cento da subsidiária brasileira do Carrefour por 1,8 bilhão de reais, divulgando que passará a ser membro do Conselho de Administração e dos comitês de Estratégia e Recursos Humanos da varejista.

Segundo a fonte, o empresário não abrirá mão do comando do Conselho da BRF e nem tampouco de um assento no Conselho do Carrefour no Brasil, defendendo os mesmos pontos de vista que apresentou ao Casino em 2013.   Continuação...