CENÁRIOS-Condições do leilão de ajuste são positivas para incentivar oferta de energia

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 11:33 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - As novas condições fixadas para o leilão de ajuste marcado para 15 de janeiro são favoráveis à venda de energia por parte das geradoras, mas o cenário de chuvas até lá também será determinante para definir se o leilão terá sucesso para aliviar a descontratação das distribuidoras, segundo consultores.

Ainda que o cenário de preços para o leilão tenha melhorado, sob o ponto de vista do vendedor, o volume de oferta de energia a ser ofertado depende também da perspectivas em relação ao Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) no primeiro semestre.

As distribuidoras precisam comprar entre 2 e 2,5 gigawatts (GW) médios de energia para o primeiro semestre -- um volume grande e não usual para um leilão de ajuste, o que levou o governo a alterar a regra para que distribuidoras pudessem comprar mais energia no certame. Elas poderão adquirir até 5 por cento de sua carga total contratada.

"Talvez não consiga contratar o volume total (que precisam), mas deve ter um volume até melhor que o contratado no leilão A-1", disse o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos.

O governo federal alterou a regra para o preço a ser praticado no leilão A-0, de forma que este poderá até ser maior e, segundo os analistas, até mesmo atingir o valor máximo do PLD para o ano. Isso permite que a venda de energia no leilão seja mais interessante e competitiva com a venda no mercado de curtíssimo prazo.

No leilão A-1, realizado no início do mês, que também visava reduzir a descontratação das distribuidoras no ano que vem, o governo contratou 622 megawatts (MW) médios, o que cobriu a descontratação das distribuidoras no segundo semestre, mas não resolveu a situação do primeiro. Apenas as estatais Furnas, da Eletrobras, e Petrobras ofereceram energia no leilão.

Os prazos estabelecidos para os contratos no leilão de ajuste são de 3 e 6 meses, ambos com início em 1 de janeiro de 2015. Se o preço de energia de curto prazo dado pelo PLD der sinais de queda de agora até o leilão, ou seja, se as estimativas de chuvas melhorarem, maior chance de as geradoras se interessarem por vender energia no certame.

Isso poderia ocorrer dado que as chuvas, geralmente, se intensificam justamente em janeiro, quando as previsões de afluências para os meses subsequentes também serão mais assertivas.   Continuação...