Rombos na conta corrente brasileira vão ficar em níveis recordes em 2014 e 2015, vê BC

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 17:17 BRST
 

Por Luciana Otoni e Patrícia Duarte

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A esperada melhora gradual da economia global e a recente alta do dólar, que tende a beneficiar a balança comercial, não serão suficientes para desafogar a conta corrente brasileira em 2015, que ainda vai amargar rombos históricos como neste ano.

O Banco Central piorou, nesta sexta-feira, sua projeção de déficit na conta corrente do Brasil neste ano a 86,2 bilhões de dólares, sobre saldo negativo de 80 bilhões de dólares calculados até então. Se confirmado, será o maior rombo na série histórica do BC, tomando o lugar do déficit de pouco mais de 81 bilhões de dólares do ano passado.

Um dos fatores que levaram a essa piora foi a balança comercial, que o BC calcula agora que fechará 2014 com déficit de 2,5 bilhões de dólares, bem pior do que o superávit de 3 bilhões de dólares esperado antes, no que seria o primeiro saldo negativo desde 2000.

A estimativa de uma balança deficitária levou em conta a desvalorização de commodities com peso importante nas exportações brasileiras, como minério de ferro, e saldo negativo na conta petróleo.

A visão do BC sobre o comércio internacional do país é pior do que a de economistas consultados em pesquisa Focus da própria autoridade monetária, de saldo negativo de 1,6 bilhão de dólares neste ano.

O primeiro da nova equipe econômica do governo não deve ser muito melhor. O BC prevê para 2015 déficit em transações correntes de 83,5 bilhões de dólares, um pouco menor do que deve ser registrado neste ano, beneficiado por um pequeno superávit na balança comercial, de 6 bilhões de dólares.

"O impacto da desvalorização cambial (do real sobre o dólar) observada nos últimos meses tende a contribuir para que o câmbio médio de 2015 seja maior do que o de 2014", afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, acrescentando que a perspectiva de maior crescimento global de 2015 também tende a contribuir no comércio exterior.

Só entre setembro e novembro, o dólar subiu quase 15 por cento ante o real, que continua pressionado agora, na casa de 2,65 reais.   Continuação...

 
REUTERS/Gary Cameron    (UNITED STATES - Tags: BUSINESS POLITICS)