Economistas veem pela 1ª vez estouro da meta de inflação em 2015

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 09:26 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Economistas de instituições financeiras passaram a ver, pela primeira vez, que a inflação estourará o teto da meta oficial em 2015, com piora das projeções tanto para o dólar quanto nos preços administrados, ao mesmo tempo em que passaram a ver crescimento econômico menor tanto neste ano quanto no próximo.

De acordo com pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, a projeção para o IPCA para 2015 subiu 0,04 ponto percentual, indo a 6,54 por cento, enquanto que para este ano permaneceu em 6,38 por cento. A meta é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A inflação tem rondado o teto da meta há meses. O IPCA-15, prévia do indicador oficial de inflação, acelerou a alta a 0,79 por cento em dezembro, e encerrou o ano com alta de 6,46 por cento.

O Focus mostrou também que as perspectivas para o dólar voltaram a piorar. Para 2014, a projeção foi a 2,65 reais, ante 2,60 reais, enquanto para 2015 atingiu 2,75 reais, sobre 2,72 reais.

O BC tem argumentado que tanto o câmbio quanto os preços administrados vão continuar pressionando a inflação que, segundo a autoridade monetária, só vai convergir para o centro da meta no final de 2016.

O Focus mostrou que as contas para os preços administrados em 2015 cresceram, com alta de 7,60 por cento, sobre 7,48 por cento na semana anterior.

Em relação à Selic, os especialistas consultados mantiveram a perspectiva de que a taxa básica de juros, atualmente em 11,75 por cento, terminará o próximo ano a 12,50 por cento.

Depois de o BC ter acelerado o ritmo na última reunião, segundo a pesquisa Focus, os especialistas continuavam vendo que o passo será mantido em janeiro --próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC--, com mais uma alta na taxa e 0,5 por cento.

Os economistas consultados na pesquisa do BC reduziram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 a 0,13 por cento, contra 0,16 por cento no levantamento anterior.   Continuação...

 
Homem sai da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino