Dilma defende diretoria e diz que mudará Conselho de Administração da Petrobras

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 17:47 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que fará mudanças no Conselho de Administração da Petrobras, que está no centro de um escândalo de corrupção, mas que não pretende substituir o comando operacional da estatal, porque não vê indícios de irregularidades entre os diretores.

Em café com jornalistas no Palácio do Planalto, Dilma disse ainda que será necessário tomar "medidas mais drásticas" na economia para "organizar a casa e ter a retomada do crescimento", mas negou que já tenha discutido o tamanho do ajuste fiscal de 2015 e a necessidade de aumento de impostos.

Dilma afirmou que nomeará os novos conselheiros da estatal após dar posse ao novo ministro de Minas e Energia. Ela não divulgou, no entanto, quem serão os novos conselheiros, mas disse que não há um modelo que obrigue a presidência do órgão a seguir com o titular do Ministério da Fazenda. Hoje, o ministro Guido Mantega é o presidente do conselho.

Na semana passada, uma fonte próxima à Presidência da República disse à Reuters que o futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, são os favoritos para ocupar a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

A estatal vive a sua maior crise, após de ter sido envolvida em um escândalo de corrupção bilionário, que resultou na prisão dos ex-diretores de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e de Serviços, Renato Duque, e impossibilitou a divulgação do resultado do terceiro trimestre dentro dos prazos. As ações da estatal, que também sofre com o recuo dos preços do petróleo, acumulam perda de quase 40 por cento no ano e de cerca de 20 por cento somente em dezembro.

Sobre a diretoria, Dilma disse que não pretende fazer substituições e defendeu enfaticamente a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, mesmo após uma funcionária da Petrobras ter dito em entrevistas recentes que teria alertado a executiva por email e pessoalmente de irregularidades, que agora são alvo das investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal.

"Não vejo nenhum indício de irregularidades da atual diretoria da Petrobras", afirmou Dilma. "Eu conheço a Graça, eu sei da seriedade da Graça, sei da lisura da Graça", argumentou Dilma.

"Sem apontar uma falha dela, cria-se um clima muito difícil para ela. Agora, por isso eu vou tirá-la? Eu a penalizo por algo que não é responsabilidade dela?", questionou Dilma.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff fala durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília 22/12/2014. REUTERS/Joedson Alves