Presidente da CCEE vê ajuste extraordinário de tarifas e térmicas ligadas em 2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014 09:16 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - As termelétricas devem ter que continuar acionadas até o fim de 2016 para recuperar o nível dos reservatórios das hidrelétricas, na avaliação do presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata, que também espera que em 2015 aconteçam revisões extraordinárias de tarifas de energia.

    Em entrevista à Reuters, Barata afirmou que não vê atualmente um cenário de racionamento de energia no país e que alguns meteorologistas até consideram que possa chover na média ou um pouco acima da média no período úmido, mas que o acionamento das térmicas deverá ter que ser mantido para recompor o nível das represas das hidrelétricas.

    Os reservatórios de hidrelétricas no Sudeste do país, principal região para geração hidrelétrica, estão em níveis que são piores até que os verificados em 2000, ano que antecedeu o racionamento de energia. A expectativa do Operador Nacional do Sistema (ONS) é de que as represas da região terminem dezembro com nível de operação 21,8 por cento.

    Atualmente, o sistema elétrico brasileiro tem maior capacidade de geração e de transmissão de energia, mas se chover apenas dentro da média histórica durante o verão, alguns especialistas do setor consideram que não será possível recuperar o nível dos reservatórios a níveis confortáveis até abril de 2015, quando começa um novo período seco no qual o nível das represas poderia voltar a cair aos níveis atuais.

    Para 2015, Barata espera ainda que ocorra revisão extraordinária das tarifas de energia, que deverá englobar principalmente a elevação da tarifa de repasse de potência de Itaipu.

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou no início do mês aumento de 46 por cento na tarifa de potência de Itaipu em 2015, que serve de base para o pagamento mensal de distribuidoras do Sudeste/Centro Oeste e Sul do país pela energia contratada da usina.

    "A Aneel já falou que vai analisar (revisão extraordinário de tarifas das distribuidoras)... É uma postura que o próprio Joaquim Levy (futuro ministro da Fazenda) tem manifestado, de repassar os custos", disse Barata.

    O presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, já tinha dito na semana passada que a maioria das distribuidoras vai pedir a revisão extraordinária de tarifas e que a Aneel se mostrou disposta a analisar os pedidos.   Continuação...