BC reforça política monetária apertada ao piorar cenário de inflação

terça-feira, 23 de dezembro de 2014 13:41 BRST
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reforçou nesta terça-feira que a política monetária continuará apertada por algum tempo, ao piorar seus cenários de inflação para este e o próximo ano e ver que em 2016 ela ainda deverá ficar acima do centro da meta oficial.

O recado veio também ao deixar de lado a palavra "parcimônia", que caracterizou a decisão de elevar o juro básico em 0,50 ponto percentual no início do mês e fez com que parte dos especialistas acreditasse, naquele momento, que o BC poderia desacelerar o passo em breve.

A autoridade monetária também reduziu sua perspectiva de expansão da economia brasileira, não enxergando recuperação mais consistente no curto prazo.

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação do BC divulgado nesta manhã, a inflação medida pelo IPCA subirá 6,4 por cento neste ano pelo cenário de referência, acima dos 6,3 por cento previstos anteriormente.

Para 2015, o BC vê agora alta de 6,1 por cento do IPCA, sobre estimativa anterior de 5,8 por cento. Em 2016, os preços devem subir 5 por cento.

A meta de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. O indicador tem permanecido acima do teto em 12 meses, como em novembro, quando atingiu 6,56 por cento.

"Ele (BC) deu o tom um pouco mais agressivo para política monetária", avaliou a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, que vê que a taxa básica de juros subindo a 12,50 por cento, acima dos 12,25 por cento que ela esperava até então.

Para conter a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deu início a um novo ciclo de aperto monetário em outubro, quando elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,25 por cento ao ano. No começo de dezembro, o Copom acelerou o aperto, aumentando o juro em 0,50 ponto, para 11,75 por cento.   Continuação...

 
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino (BRAZIL - Tags: POLITICS BUSINESS ELECTIONS)