Petrobras divulga balanço do 3º tri em janeiro e diz que evita vencimento antecipado de dívidas

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014 23:23 BRST
 

Por Jeb Blount e Tatiana Ramil

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras, no centro de um escândalo de corrupção, divulgará em janeiro do próximo ano o balanço do terceiro trimestre de 2014, sem o relatório do auditor externo, em busca de evitar a cobrança antecipada de dívida por credores.

A estatal adiou a publicação de seu resultado trimestral, que deveria ter sido apresentado até a metade de novembro, devido às investigações relacionadas à operação Lava Jato, da Polícia Federal, que revelou um esquema de obras superfaturadas da petroleira que supostamente beneficiou empregados e ex-funcionários, políticos e executivos de empreiteiras.

"Com esse prazo, a companhia estará atendendo suas obrigações dentro do tempo estabelecido pelos seus contratos financeiros, considerados os períodos de tolerância contratuais aplicáveis, e de modo a evitar o vencimento antecipado da dívida pelos credores", afirmou a estatal em comunicado na noite de segunda-feira.

Mais cedo na segunda-feira, a Reuters publicou que a Petrobras poderá entrar em default técnico em algumas de suas dívidas externas a partir de terça-feira, 30 de dezembro, se credores aderirem a uma campanha para forçá-la a acelerar as possíveis baixas contábeis devido ao escândalo de corrupção.

A campanha, que está sendo conduzida pelo fundo Aurelius Capital, sediado em Nova York, aplica-se a títulos de dívida da Petrobras regidos pela lei dos Estados Unidos, no Estado de Nova York. O Aurelius, um fundo "abutre" ou de "dívida desvalorizada", está pedindo a investidores que coloquem a empresa em default como "medida de precaução", segundo uma carta de 29 de dezembro vista pela Reuters.

Sob os termos desses títulos, a Petrobras é obrigada a fornecer as demonstrações financeiras do terceiro trimestre no prazo de 90 dias após o fim do trimestre, neste caso nesta segunda-feira, 29 de dezembro.

Para a declaração de default ter efeito em qualquer um dos mais de 20 títulos da Petrobras governados pela lei norte-americana, investidores que detenham pelo menos 25 por cento de qualquer série dos bônus precisam requerer a declaração de default.

A Petrobras não especificou sobre quais bônus de dívida se aplica o prazo de janeiro para divulgação de seu resultado do trimestre encerrado em setembro último, nem mencionou se o comunicado era uma resposta ao fundo Aurelius.   Continuação...