CVM abre inquérito por denúncias de corrupção e organização criminosa na Petrobras

terça-feira, 30 de dezembro de 2014 21:54 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou nesta terça-feira que abriu inquérito administrativo para apurar responsabilidades de executivos da Petrobras em denúncias de corrupção envolvendo a companhia.

Em comunicado, o órgão regulador do mercado de capitais brasileiro afirmou que o inquérito vai tratar do conteúdo de seis processos administrativos abertos contra a empresa em 2014. Não foram citados nomes de executivos investigados.

Dois deles motivaram a abertura do inquérito. O primeiro é o pedido do Ministério Público Federal (MPF) para apurar denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobras para contratos de afretamento de navios e plataformas entre a empresa e a companhia holandesa SBM Offshore.

O outro é análise dos desdobramentos da investigação que apura denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Petrobras. Esses são crimes que estão sendo investigados no âmbito da operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A autarquia, responsável pela regulação do mercado de capitais brasileiro, começou a investigar as denúncias formalmente em outubro.

Segundo fontes afirmaram à Reuters em 12 de dezembro, a CVM busca detectar se executivos atuais e antigos da diretoria e membros do conselho de administração da Petrobras não cumpriram com dever fiduciário e de lealdade com a companhia, ao não relatarem irregularidades das quais teriam tido conhecimento.

A matéria também mencionou que a autarquia iria aglutinar os processos numa única investigação para dar celeridade ao trabalho.

No comunicado desta terça-feira, a CVM informa ainda que os outros quatro processos administrativos abertos para analisar reclamações incluindo queixas de investidor e de membros do conselho de administração da estatal relacionadas à política de preços da Petrobras, refinarias Abreu Lima e Comperj e suspensão de reunião de conselho. Estes processos seguem em análise na Superintendência de Relações com Empresas (SEP).

Na véspera, a Petrobras anunciou suspensão de negócios com 23 empresas fornecedoras citadas na Operação Lava Jato, o que pode acabar fazendo a companhia contratar mais empresas estrangeiras.

(Por Alberto Alerigi Jr.)