Barbosa diz que ajustes levarão a superávit primário e retomada do crescimento

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 13:57 BRST
 

Por Nestor Rabello

BRASÍLIA (Reuters) - O novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta sexta-feira que a política fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff foi importante para absorver choques econômicos, mas que agora são necessários ajustes para a retomada do crescimento, "com elevação gradual do resultado primário".

"A política fiscal teve papel importante... ao absorver os choques econômicos via redução temporária de nosso resultado primário", disse Barbosa em seu discurso na cerimônia de transmissão de cargo. "Essa política fiscal cumpriu o papel que lhe foi posto e atingiu seu limite", afirmou.

"Agora, iniciamos uma nova fase de nosso desenvolvimento, uma fase na qual é necessário recuperar o crescimento da economia, com elevação gradual do resultado primário e redução da inflação."

Em entrevista coletiva após a cerimônia, Barbosa não quis fazer um prognóstico sobre a alta dos preços, mas prometeu que o governo federal vai fazer sua parte.

"Toda a equipe econômica partilha do objetivo de trazer a inflação para o centro da meta, no prazo adequado, segundo o (presidente do Banco Central, Alexandre) Tombini, até 2016. Nós (governo federal) vamos dar nossa contribuição para isso."

Barbosa admitiu que os ajustes a serem feitos na política econômica podem ter "eventuais impactos restritivos no curto prazo". Mas ressaltou, em seu discurso, que "ajustes são medidas necessárias para a recuperação do crescimento da economia, que por sua vez é condição indispensável para continuar nosso projeto de desenvolvimento econômico".

As contas públicas se deterioram nos últimos anos a ponto de o Executivo ter precisado que o Congresso aprovasse uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 que, na prática, eximiu o governo de obter um superávit primário neste ano.

Na entrevista, o ministro disse que as medidas anunciadas nesta semana --corrigindo distorções no salário-desemprego, abono salarial e pensões -- mais a elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e novas condições de empréstimo do BNDES são alguns dos ajustes que precisavam ser feitos.   Continuação...

 
Novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, durante entrevista em  Brasília.. 27/11/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino