Empresas de educação iniciam 2015 pressionadas por mudanças no Fies

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 13:43 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - As empresas de educação iniciaram o ano sob pressão, na esteira de mudanças divulgadas no início da semana para o Fies, programa do governo para financiar a graduação superior, apesar de a presidente reeleita Dilma Rousseff ter sinalizado prioridade para a educação na cerimônia de posse.

No primeiro pregão da Bovespa de 2015, as ações da Estácio Participações e da Kroton figuravam entre as principais perdas do Ibovespa, com queda de 6,5 por cento e 4,8 por cento, respectivamente, às 13h35, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, recuava 2,25 por cento.

Já os papéis da Anima Educação caíam 4,8 por cento, ao passo que as ações da Ser Educacional perdiam 6,45 por cento.

Na segunda-feira, o Ministério da Educação mudou as regras para o Fies, importante fonte de receita para as companhias. Segundo o analista Tales Freire, do Bradesco, o programa responde por 49 por cento das receitas totais da Ser, 44 por cento da Kroton, 40 por cento da Estácio e 38 por cento da Anima.

A partir de agora, os estudantes precisarão tirar no mínimo 450 pontos no Enem para terem acesso ao benefício, e não poderão zerar a prova de redação.

Além disso, os candidatos não poderão mais receber o benefício simultâneo do financiamento com recursos do Fies e de bolsa do Prouni. A exceção vale para bolsa parcial, mas apenas quando ambos os benefícios se destinarem ao mesmo curso e na mesma instituição de educação superior.

Segundo os analistas Felipe Silveira e Daniel Liberato, da Coinvalores, ainda é cedo para mensurar os efeitos das mudanças, embora elas tenham possível impacto sobre a captação de novos alunos.

"Esse setor desde 2011 foi bastante estimulado, mas há algumas indicações de que alguns desses benefícios em um quadro de aperto de despesas do governo podem sofrer alterações", afirmaram.   Continuação...