Alemanha acredita que a zona do euro pode lidar com a saída da Grécia 

sábado, 3 de janeiro de 2015 17:47 BRST
 

BERLIM (Reuters) - O governo alemão acredita que a zona do euro agora conseguiria lidar com a saída da Grécia, se for mesmo necessária, afirmou a revista Der Spiegel neste sábado, citando fontes do governo.

Tanto a chanceler Angela Merkel quanto o ministro de Finanças, Wolfgang Schaeuble acreditam que a zona do euro fez reformas suficientes desde a crise de 2012 para tornar uma potencial saída da Grécia administrável, segundo o Der Spiegel.

"O perigo de contágio é limitado porque Portugal e Irlanda são considerados reabilitados", disse uma fonte governamental.

Além disso, o Mecanismo de Estabilidade da Europa (ESM), o fundo de socorro da zona do euro, é um mecanismo de resgate efetivo e agora está disponível, segundo outra fonte. Os grandes bancos serão protegidos pelo sindicato dos bancos.

O governo alemão em Berlim não estava disponível para comentários.

Ainda não está claro como um membro da zona do euro poderia abandonar o euro e ainda assim continuar na União Europeia, mas o Der Spiegel citou um "alto especialista em moedas" dizendo que "advogados com recursos" poderiam esclarecer esse ponto.

Segundo a reportagem, o governo alemão considera uma saída da Grécia quase inevitável se o partido de oposição esquerdista Syriza, liderado por Alexis Tsipras, vencer a eleição de 25 de janeiro.

As eleições gregas foram convocadas após os legisladores não conseguirem eleger um novo presidente em dezembro. Isso põe o partido conservador Nova Democracia do primeiro ministro Antonis Samaras, que impôs cortes impopulares no orçamento, de acordo com o pacote de resgate da Grécia, contra o Syriza de Tsipras, que quer cancelar medidas de austeridade e parte da dívida da Grécia.

As pesquisas de opinião mostram que o Syriza está na liderança contra a Nova Democracia, apesar da margem ter diminuído para 3 por cento à medida que a votação se aproxima.

O ministro das Finanças alemão Schaeuble já avisou a Grécia contra se afastar do caminho da reforma econômica, dizendo que qualquer novo governo deveria cumprir as mesmas promessas feitas pelo atual governo de Samaras.