Levy reforça compromisso fiscal e diz que tributos poderão ser ajustados

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015 19:38 BRST
 

Por Maria Carolina Marcello e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assumiu o posto nesta segunda-feira com a promessa de reequilibrar as contas públicas e afirmou que possíveis ajustes em alguns tributos serão considerados, mas não anunciou nenhuma medida efetiva nessas frentes.

Em seu primeiro discurso no comando da economia do país, Levy disse que o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos será um fundamento do novo ciclo de crescimento, acrescentando que o Brasil possui condições de obter equilíbrio nas contas públicas sem redução de benefícios sociais.

Ele ressaltou ainda que qualquer iniciativa tributária terá que ser coerente com a trajetória dos gastos públicos.

"O equilíbrio fiscal em 2015... será fundamento de um novo ciclo de crescimento, assim como a responsabilidade fiscal exercitada na primeira metade da década dos anos 2000 foi condição indispensável para o Brasil ter sucesso na política de inclusão social de milhões de brasileiros", disse o ministro.

Ele ressaltou que o controle das contas públicas nos primeiros anos da década passada também permitiu que o país conduzisse "pela primeira vez na história uma política anticíclica eficaz, como fez em seguida à crise global de 2008".

O novo ministro assume o cargo em meio à crescente deterioração das contas públicas e foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff, reeleita em outubro passado, numa tentativa de recuperar a credibilidade da política econômica e criar as condições para o Brasil voltar a crescer, depois de um ano de estagnação em 2014.

Levy admitiu que esse compromisso fiscal "nem sempre é fácil", ainda mais levando em conta as "legítimas" demandas da população e a "natural" tendência de se buscar mais conforto imediato. Mas argumentou que muitas vezes isso se dá "com insuficiente atenção ao futuro, mesmo próximo".

"Esse equilíbrio fiscal é indispensável para... a confiança e para o desenvolvimento do crédito, que permite mais empreendedores levarem à frente seus projetos e com isso contribuindo para a geração de emprego, do bem-estar geral."   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante cerimônia no Banco Central, em Brasilia5/01/2015.  REUTERS/Ueslei Marcelino