6 de Janeiro de 2015 / às 13:27 / em 3 anos

Vendas de veículos no Brasil devem ter 3o ano seguido de queda em 2015

Pátio de carros em fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo em 20 de agosto de 2014. Paulo Whitaker (BRAZIL - Tags: POLITICS BUSINESS TRANSPORT)

SÃO PAULO (Reuters) - As vendas de veículos novos no Brasil devem cair pelo terceiro ano consecutivo em 2015, previu a associação de concessionárias Fenabrave nesta terça-feira, afirmando que a expectativa decorre da perspectiva de crescimento econômico estagnado e do fim de impostos menores para o setor.

A entidade estimou que as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil este ano vão cair 0,5 por cento, após um tombo de 7,15 por cento em 2014, o pior declínio percentual registrado pelo setor desde 2002.

Questionado se a perspectiva da entidade para 2015 seria otimista diante do ambiente de elevação de juros, sinais de alta no desemprego e redução de estímulos governamentais, o presidente da Fenabrave, Alarico de Assumpção Junior, afirmou que a perspectiva para 2015 é realista.

“É realista porque não há grandes alterações no cenário” em relação ao ano passado, disse ele, referindo-se à estagnação da economia. “Se o PIB crescer, nosso setor vai avançar”, afirmou o presidente da Fenabrave.

A expectativa para o crescimento do PIB em 2015 é de 0,5 por cento, menor que os 0,55 por cento estimados na semana anterior pela pesquisa Focus, do Banco Central. [nEMNECT0S3]

A perspectiva da Fenabrave foi divulgada apesar do volume de vendas dezembro ter sido o terceiro melhor da história em automóveis e comerciais leves, a 353,56 mil unidades, em parte impulsionado pelo fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O desempenho ajudou a reduzir o estoque do setor de 50 para 40 dias de vendas, disse Assumpção.

A performance do mês passado, com vendas 26 por cento maiores que em novembro, deu sequência a uma certa retomada dos licenciamentos do setor na segundo metade do ano, apõs o fraco primeiro semestre. Assumpção afirmou que 2014 foi atípico por vários eventos que reduziram significativamente o período de vendas, como a Copa do Mundo e as eleições de outubro.

Assumpção não detalhou se a disparada nos licenciamentos em dezembro foi consequência de prática do setor de emplacar veículos ainda sem compradores de modo a inflar o desempenho das montadoras no ano, prática conhecida como rapel. Porém, segundo o vice-presidente da Fenabrave, Luiz Romero, o efeito poderá ser mensurado pelo resultado das vendas de janeiro, que podem ser ainda mais fracas que de costume na comparação com dezembro.

Romero disse que o setor tem estoque de cerca de um mês de veículos produzidos com IPI menor, o que pode ajudar nas vendas do início deste ano, quando os modelos produzidos a partir de janeiro tiveram elevação do tributo a níveis normais.

“Fevereiro vai ter aumento de preços e é evidente que o aumento vai causar um certo impacto (nas vendas) em fevereiro e março”, disse Romero.

Na comparação com dezembro de 2013, as vendas do mês passado subiram 4,57 por cento, a 369.996 carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, insuficiente para impedir queda no acumulado de 2014, a 3,498 milhões de unidades. Considerando só automóveis e comerciais leves, as vendas retornaram a patamares de 2010.

A fraqueza do mercado interno, aliada ao tombo nas exportações, tem motivado as montadoras a desacelerarem produção e identificarem excedentes de pessoal. Nesta terça-feira, a Volkswagen (VOWG_p.DE) anunciou a demissão de 800 funcionários da fábrica em São Bernardo do Campo, movimento que pode ser acompanhado por outras montadoras. [nL1N0UL0V3][nL2N0T82VS]

Porém, o presidente da Fenabrave afirmou que o setor de distribuição de veículos, que emprega cerca de 410 mil trabalhadores, “já está ajustado (...) Não estamos prevendo demissão em massa em nosso setor”.

A grande aposta da Fenabrave para ajudar as vendas em 2015 é a legislação recentemente aprovada que permite uma aceleração na retomada de bens de inadimplentes, o que em tese pode motivar bancos a ampliar a oferta de crédito a automóveis. Em 2014, segundo o presidente da entidade, a aprovação de pedidos de financiamento foi de 30 por cento. Segundo Assumpção, a regra pode gerar “um mês a mais de vendas” ao segmento.

Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Brad Haynes, edição de Aluísio Alves

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