Volkswagen demite 800 em fábrica no ABC, trabalhadores decidem por greve

terça-feira, 6 de janeiro de 2015 18:35 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Volkswagen do Brasil anunciou nesta terça-feira a demissão de 800 empregados de sua fábrica em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e indicou que novos cortes poderão ocorrer adiante devido ao mau momento do setor automotivo.

A decisão fez empregados da unidade, que produz os veículos Gol e Saveiro, aprovarem convocar greve por tempo indeterminado, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A unidade empregava cerca de 13 mil trabalhadores antes dos cortes.

As demissões na Volkswagen ocorrem após no final do ano passado a Mercedes-Benz, do grupo Daimler, cortar 244 funcionários de fábrica de ônibus e caminhões em São Bernardo do Campo, segundo o sindicato do ABC.

"Visando estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade, a Volkswagen do Brasil anuncia que haverá o desligamento de 800 empregados em sua fábrica no ABC Paulista, após período de licença remunerada de 30 dias", informou a montadora em nota à imprensa.

O setor automotivo, importante fonte empregadora no país, foi beneficiado por reduções tributárias após a crise global de 2008/09, o que ajudou a manter as vendas de veículos no país em alta até 2012, quando o governo federal estendeu benefícios do IPI reduzido desde que as montadoras não demitissem.

Em 2013 e 2014, porém, as vendas de veículos no país amargaram queda e a expectativa é de nova redução neste ano. A associação de concessionários, Fenabrave, estimou mais cedo queda de 0,5 por cento nas vendas este ano.

Segundo a Volkswagen, as demissões representam a "primeira etapa de adequação de efetivo" e que "continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições" da Unidade Anchieta.

A montadora também disse em nota que medidas paliativas adotadas desde 2013, como férias coletivas e suspensão temporária dos contratos de trabalho, não foram suficientes diante das expectativas para a indústria automotiva.

A companhia disse ainda ter proposto ao sindicato adequar o quadro de empregados através da abertura de programas de demissão voluntária e a redução de temporária de terceirizados para alocar parte do excedente de pessoal. A Volkswagen informou que a proposta foi rejeitada em assembleia em 2 de dezembro.   Continuação...