Presidente de banco português BPI defende interrupção de fusão Oi-Portugal Tel

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 12:29 BRST
 

Por Sérgio Gonçalves

LISBOA (Reuters) - A fusão da Portugal Telecom com a Oi tem que ser travada urgentemente pois a queda no preço das ações do grupo brasileiro está causando uma "monstruosa" destruição de valor na companhia portuguesa, afirmou o presidente-executivo do Banco Português de Investimento (BPI), Fernando Ulrich.

Em entrevista à Reuters, Ulrich afirmou que embora o BPI não seja acionista direto da Portugal Telecom, é "de alguma forma indiretamente" pois o banco é um dos acionistas do Fundo de Resolução, dono do Novo Banco, que ficou com os ativos não tóxicos do BES e que é o maior acionista do grupo de telecomunicações português. O Novo Banco tem 12,6 por cento do capital da PT SGPS, que é a maior acionista da Oi.

"Espanta-me que ninguém faça nada para travar esta fusão, que é uma tragédia para os acionistas da PT SGPS", disse Ulrich.

"É urgente agir pois é a queda nas ações da Oi que está arrastando a queda nas ações da PT SGPS. Isto é uma monstruosidade, é um casamento trágico e choca-me, enquanto cidadão, ver esta tragédia para os acionistas da PT SGPS", disse o executivo. "A fusão ainda não está concretizada e, se ainda é possível fazer alguma coisa para travar a fusão, deve ser feito", acrescentou.

Ulrich afirmou que a fusão não faz mais qualquer sentido pois a Oi não pretende mais seguir com o projeto inicial de criar um grupo global de telecomunicações de língua portuguesa, com presença em Portugal, América Latina e África.

As ações da PT SGPS tinham queda de 12,7 por cento às 12h10 (horário de Brasília) em Lisboa, depois de chegarem a afundar mais cedo mais de 20 por cento. Enquanto isso, os papéis da Oi subiam cerca de 4 por cento, em São Paulo.

Os acionistas da PT SGPS promovem uma assembleia no próximo dia 12 para deliberarem sobre a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom ao grupo europeu Altice.