Petrobras seguirá sem concorrentes na importação de combustíveis, dizem analistas

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 15:27 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - É improvável o surgimento de novos grandes importadores de combustíveis no Brasil, além da Petrobras, apesar das condições de preços favoráveis para importações de diesel e gasolina no momento, segundo especialistas.

Isso porque a logística de distribuição no país é dominada pela Petrobras e novos importadores poderiam se indispor comercialmente com a estatal, perdendo contratos de fornecimento no futuro, segundo especialistas e analistas de bancos.

Além disso, importadores ainda correriam riscos ao ter que lidar com preços controlados pelo governo, que eventualmente poderia aproveitar o cenário de cotações mais baixas do petróleo para determinar uma redução nos valores dos derivados nas refinarias da Petrobras.

Já houve importações por outras empresas em outros momentos da história, mas o volume nunca foi elevado, lembrou uma fonte do mercado, que preferiu não se identificar.

"A gente já teve janela de importações anteriores, em 2010, 2011, de diesel, e o que se via chegando no Brasil era um barco por mês, dois barcos por mês, se olhar na participação de mercado chegava a 1 por cento, 1,5 por cento, não é nada além disso", disse.

A queda contínua do preço do barril do petróleo fez com que o prêmio dos combustíveis no país em relação aos preços praticados no exterior fosse para 60 por cento para a gasolina e 49 por cento para o diesel, segundo cálculos recentes do banco HSBC.

Isso depois de a Petrobras vender por anos combustíveis mais baratos do que no exterior --os preços lá fora oscilam ao sabor da cotação da commodity, enquanto no Brasil são controlados.

Com o atual cenário, um importador de gasolina poderia ter uma margem de ganho de 18 por cento, considerando apenas a chegada ao Brasil, disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.   Continuação...