ENTREVISTA-Lojas Renner vê redução de competidores com economia menos atrativa em 2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 11:11 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - Após ver suas ações saltarem em 2014 na contramão de um ano fraco para a concorrência, a varejista de moda Lojas Renner inicia 2015 enxergando oportunidades de ocupar lacunas deixadas por concorrentes de menor porte, em um ambiente macroeconômico desafiador.

Em entrevista à Reuters, o presidente da companhia, José Galló, afirmou que o período de 2003 a 2010 foi "extremamente favorável para todos", mas que a situação vem mudando em função da desaceleração da economia, fazendo os consumidores optarem por redes com fôlego financeiro, capazes de seguir apresentando novidades.

"Posso ler os jornais e dizer 'nossa, vai ser ano difícil'. Mas prefiro ler tudo isso e ver onde estão as oportunidades para a Renner. E uma pode ser essa, uma certa concentração e redução de operadores", disse o executivo.

Galló acrescentou que uma eventual pressão do governo federal por maior eficiência arrecadatória, a fim de reforçar as contas públicas, pode acabar empurrando companhias informais, que respondem por cerca de 48 por cento do mercado de varejo de vestuário, segundo a consultoria McKinsey, para fora do jogo.

"A gente sabe que pagar ou não pagar impostos dá uma diferença de mais ou menos 20 por cento (nos custos)", disse ele.

Apesar de crédito mais caro e inflação em alta que levaram o consumidor brasileiro a segurar os gastos e o marasmo durante a Copa do Mundo, a Renner conseguiu elevar as vendas em mesmas unidades, que consideram os pontos abertos há mais de um ano, em 7,8 por cento de janeiro a setembro de 2014.

Enquanto isso, a Cia Hering teve queda de 7 por cento na mesma linha, enquanto Riachuelo e Lojas Marisa registraram avanço de apenas 1,6 por cento e 0,6 por cento, respectivamente, em igual período.

Refletindo a alta na receita orgânica, além de ganhos na margem operacional, as ações da Renner subiram 28,1 por cento em 2014, ano em que os papéis da Cia Hering despencaram 29,7 por cento, os da Riachuelo cederam 19,2 por cento e os da Marisa perderam 21,5 por cento.   Continuação...