Inflação fica em 6,41% em 2014, com alimentos e habitação, e segue pressionada neste ano

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 12:05 BRST
 

Por Pedro Fonseca e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira encerrou 2014 em 6,41 por cento, pressionada principalmente pelos preços de alimentos e habitação, muito próxima do teto da meta oficial e sem dar sinais de arrefecimento em breve, mantendo a pressão sobre o Banco Central para conter a alta dos preços no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Somente em dezembro, o IPCA avançou 0,78 por cento, após alta de 0,51 por cento em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em 2013, o indicador havia subido 5,91 por cento. No primeiro mandato da presidente, a inflação brasileira somou 27,03 por cento, com alta anual média de 6,17 por cento.

A meta oficial é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. O resultado do ano passado livrou por pouco, e mais uma vez, o presidente do BC, Alexandre Tombini, de ter que fazer uma carta aberta explicando os motivos do descumprimento do objetivo.

"No ano inteiro o IPCA mostrou que houve uma alta generalizada de preços. E para 2015 há uma inércia mais pesada por conta do histórico resistente", destacou a economista do Santander Tatiana Pinheiro, lembrando que pelo quinto ano seguido o IPCA ficou próximo ou acima de 6 por cento.

A última vez em que houve estouro da meta foi em 2003, primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o IPCA encerrou com alta de 9,3 por cento. Em 2011, ano em que Dilma assumiu o governo, o índice ficou exatamente no limite máximo do objetivo atual, 6,50 por cento.

Os resultados divulgados nesta manhã ficaram em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,78 por cento em dezembro e de 6,42 por cento no ano passado.

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Cliente olha preços em supermercado em São Paulo. REUTERS/Nacho Doce (BRAZIL - Tags: BUSINESS)