Relatório da PwC põe em xeque ex-executivos da Portugal Telecom em dívida da Rioforte

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 11:02 BRST
 

LISBOA (Reuters) - A Portugal Telecom SGPS endividou-se em 2014 sem ter necessidade para manter os 897 milhões de euros aplicados em notas comerciais da holding da Rioforte, que entraram em default em julho, disse a PriceWaterhouseCoopers (PwC), numa auditoria que põe em xeque o ex-vice-presidente financeiro e o ex-presidente-executivo da empresa.

O calote do investimento na Rioforte causou uma crise no processo de fusão da empresa com a brasileira Oi no ano passado e a continuidade da união dos dois grupos tem sido questionada por acionistas da Portugal Telecom.

A PwC concluiu que o ex-vice-presidente financeiro, Luís Pacheco de Melo, "tinha o dever de informar pontual e oportunamente os membros da Comissão Executiva (CE) e da Comissão de Auditoria", das operações contratadas "com impacto relevante na sua posição de tesouraria", o que não aconteceu.

A auditora também não desculpa o ex-presidente-executivo, Henrique Granadeiro, que "tinha o dever de se manter informado" daquelas operações, "solicitando em tempo útil e de forma adequada informação ao vice-presidente financeiro" para assegurar que era prestada, em primeira linha, aos demais membros da Comissão Executiva.

Segundo o relatório, divulgado pela Oi nesta sexta-feira após publicação em Portugal, a exposição do Grupo Portugal Telecom à dívida do falido Grupo Espírito Santo (GES) --primeiro da Espírito Santo International (ESI) e só em 2014 da Rioforte-- iniciou-se em 2001, quando somou 600,2 milhões de euros, e atingiu o máximo de 1,218 bilhões de euros em 2005, embora não tenha ocorrido entre fevereiro de 2008 e setembro de 2010.

A auditoria, feita entre 13 de agosto e 30 de novembro, revelou que o colapsado Banco Espírito Santo (BES), a "jóia da coroa" do GES e que era o maior acionista da Portugal Telecom com 10 por cento do capital, "desempenhou as funções de intermediário entre o Grupo PT SGPS e o GES".

A PwC afirmou que, em maio de 2013, quando Zeinal Bava era presidente-executivo da PT SGPS e um mês antes de assumir o lugar de presidente-executivo da Oi, a PT SGPS, através da PT Finance, emitiu 1 bilhão de euros em títulos de dívida e, "parte deste financiamento, 500 milhões de euros, foi utilizado para adquirir títulos da ESI".

Segundo a auditora, a Portugal Telecom teve um "aumento da exposição a títulos da ESI, de 510 milhões de euros para 750 milhões de euros, no mesmo dia em que o montante de 1 bilhão de euros da emissão aprovada em 3 de maio de 2013 foi depositado em conta corrente".

Posteriormente, entre 10 e 21 de fevereiro de 2014, quando Henrique Granadeiro já era presidente-executivo da PT SGPS e mantendo-se Luís Pacheco de Mello como vice-presidente financeiro, deu-se o reembolso daqueles 750 milhões de euros de títulos emitidos pela ESI, mas "houve a subscrição de notas comerciais emitidas pela RioForte no montante de 897 milhões de euros".   Continuação...

 
Bandeira da Portugal Telecom no prédio-sede da empresa em Lisboa. REUTERS/Hugo Correia (PORTUGAL - Tags: BUSINESS TELECOMS)