Dólar cai mais de 1% sobre o real com dados de emprego nos EUA

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 17:11 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento ante o real pelo segundo dia seguido nesta sexta-feira, após a inesperada queda dos salários nos Estados Unidos em dezembro reforçar apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, vai ser "paciente" para elevar os juros.

A moeda norte-americana recuou 1,25 por cento, a 2,6390 reais na venda, após atingir 2,6270 reais na mínima da sessão. Com isso, a divisa fechou a semana em queda de 1,99 por cento.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2 bilhões de dólares.

"Está claro que o mercado não precisa se preocupar com a alta dos juros (nos EUA) por pelo menos alguns meses", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

Apesar de a criação de postos de emprego nos EUA ter superado as expectativas de analistas em dezembro, os salários surpreendentemente recuaram no período. O número reforçou a perspectiva de que o Fed pretende ser "paciente" ao elevar os juros, como prometeu em seu último comunicado de política monetária.

O banco central norte-americano tem mantido a taxa básica de juros perto de zero desde dezembro de 2008. E, ao elevar as taxas, poderia atrair recursos para os EUA que hoje estão em outros mercados, como o brasileiro, afetando o fluxo cambial.

Essa percepção foi reforçada por declarações do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, que reiterou que a inflação está muito baixa e que a alta dos juros deveria acontecer só no ano que vem. Segundo ele, o Fed teria de ver os salários crescerem mais para cumprir sua meta de inflação.

"A grande pergunta agora é se os números de emprego são bons o suficiente para o Fed ou não. Ouvindo Evans falar, eu diria que não", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.   Continuação...