França persegue suspeita por Charlie Hebdo após cerco mortal

sábado, 10 de janeiro de 2015 14:15 BRST
 

PARIS (Reuters) - A França lançou uma grande caçada contra a cúmplice dos militantes islâmicos por trás do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo e a uma loja de artefatos judeus, mantendo alto o alerta de segurança antes da "passeata silenciosa" de Paris com líderes europeus, no próximo domingo.

O primeiro ministro Manuel Valls pediu que a participação seja muito alta no domingo. Dezenas de milhares fizeram vigílias locais no sábado, com 80 mil em Toulouse e 30 mil na cidade de Nice. Um número similar fez sua homenagem em Pau, no sudoeste.

Na pior ameaça à segurança doméstica da França por décadas, 17 vítimas perderam as vidas em três dias de violência que começaram com um ataque contra o jornal semanal Charlie Hebdo na quarta-feira e terminou com dois incidentes envolvendo reféns.

Forças de segurança mataram os dois irmãos por trás do ataque ao Hebdo após eles se refugiarem em um prédio, e um associado amado com uma Kalashnikov que havia plantado explosivos no restaurante em Paris em um cerco que tirou a vida de quatro reféns.

Na manhã deste sábado, ainda havia presença visível da polícia em torno da capital francesa, com patrulhas em áreas sensíveis incluindo redações da imprensa. Houve um alerta falso de bomba na Eurodisney, a leste da capital.

"Não é mais como antes", disse Maria Pinto, em uma rua no centro de Paris.

O ataque ao Charlie Hebdo, jornal que satirizava o Islã, assim como outras religiões e políticos, levantou questões sensíveis sobre liberdade de expressão, religião e segurança em um país com dificuldades para integrar a minoria de cinco milhões de muçulmanos.

O paradeiro da parceira do ataque à loja judaica, Hayat Boumeddiene, 26 anos, continua desconhecido. A polícia a listou como suspeita desse ataque e do assassinato anterior de uma policial, considerando-a "armada e perigosa".

"Todos nossos recursos estão concentrados em procurar essa pessoa", disse o chefe de polícia nacional Jean-Marc Falcone à emissora de televisão BFM-TV. "Nós pedimos que ela se entregue à Justiça".

Uma fotografia oficial da polícia mostra uma jovem mulher com cabelos negros e longos por cima das orelhas. A imprensa francesa, no entanto, publicou fotos que mostram Boumeddiene totalmente sob um véu, posando com um arco e flecha, no que eles disseram ser um treinamento em 2010 na região montanhosa de Cantal.

A imprensa francesa contou que ela é uma de sete filhas cuja mãe morreu quando ela era jovem e cujo pai teve dificuldades para continuar trabalhando enquanto cuidava da família. Como adulta, perdeu o emprego como caixa quando se converteu ao Islã e começou a usar o niqab.