Presidente da CVM indica que há investigações sigilosas em curso sobre Petrobras

terça-feira, 13 de janeiro de 2015 15:37 BRST
 

Por Juliana Schincariol e Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicou que está realizando investigações sigilosas sobre a Petrobras e que ainda é cedo para dizer se nomes como o da presidente da República, Dilma Rousseff, poderão ser citados.

“O que nós deixamos público não é necessariamente tudo o que a gente está fazendo. Pode ter investigações, e certamente devem ter, que estão ainda em sigilo. A gente só deixa público depois que tem algum parâmetro para a gente não desproteger o processo e nem quem está envolvido”, disse o presidente da CVM, Leonardo Pereira, em entrevista à Reuters no fim da tarde de segunda-feira.

A autarquia informou no fim de dezembro que abriu inquérito administrativo para apurar responsabilidades de administradores da Petrobras em denúncias de corrupção envolvendo a companhia, no centro da operação Lava Jato da Polícia Federal.[nL1N0UE1PF]

Questionado sobre nomes que podem ser citados no caso, como o de Dilma, o presidente da CVM disse ser "totalmente precipitado" abordar isso. “Eu não tenho base nenhuma para falar isso... O processo quando chega ao colegiado é sorteado e aí nós temos acesso ao processo. Eu vou ser uma das pessoas que vai estar julgando”, disse Pereira.

Dilma presidiu o Conselho de Administração da Petrobras entre abril 2003 e março de 2010, primeiro na condição de ministra de Minas e Energia e depois no comando da Casa Civil, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Conselho da estatal é presidido pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega desde abril de 2010.

Pereira deixou claro que casos de corrupção não estão dentro do escopo da CVM, que para isso tem que trabalhar em conjunto com a PF e o Ministério Público. A autarquia deve avaliar o que é importante para o mercado de capitais funcionar, como dever de lealdade, se os administradores cumpriram o seu papel e se a empresa entregou as informações corretas no momento adequado.

Apesar de afirmar que o caso da Petrobras não será priorizado em detrimento de outros processos, o presidente da CVM admitiu que há uma celeridade da autarquia sobre o caso.

Por outro lado, segundo Pereira, uma conclusão das investigações não deve ocorrer nos próximos meses. "É um problema não se resolve em meses em lugar nenhum do mundo", disse o presidente da CVM, excluindo a possibilidade de um julgamento em 2015.   Continuação...