ENTREVISTA-Lava Jato investiga envolvimento de mais multinacionais em escândalo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015 21:51 BRST
 

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO (Reuters) - As investigações da Polícia Federal sobre o escândalo que envolveu a Petrobras podem encontrar o maior esquema de lavagem de dinheiro já registrado no país e apontam para suspeitas de participação de mais companhias internacionais num caso de corrupção generalizada.

A delegada da PF Erika Marena disse que a quantidade de dinheiro envolvido provavelmente será maior do que os 28 bilhões de dólares registrados em transferências ilícitas entre 2003 e 2007 no caso Banestado, até hoje considerado o maior esquema de lavagem de dinheiro no Brasil.

"Se você for considerar o valor investigado, o valor da obra da Petrobras, com certeza o potencial da investigação é ultrapassar em muito este valor", afirmou Erika em entrevista por telefone, em Curitiba, onde ela e outros agentes anteriormente trabalharam no caso do Banestado, há cerca de uma década.

A Polícia Federal está trabalhando em meio a pilhas de documentos, incluindo uma lista de 750 projetos de infraestrutura que podem ter tido fundos desviados para contas bancárias no exterior, enriquecendo executivos, políticos e partidos.

O caso tornou-se a maior crise para a presidente Dilma Rousseff, ameaçou suspender projetos de construção muito necessários e reduziu o valor da estatal Petrobras quase pela metade em dois meses.

Erika falou à Reuters na noite de terça-feira, antes de a polícia prender o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. A promotoria o acusou de envolvimento em corrupção e lavagem de dinheiro, embora seu advogado tenha dito que ele não cometeu nenhum crime.

Os promotores dizem que Cerveró levou propina da empresa sul-coreana Samsung Heavy industries, que não tinha respondido a um pedido de comentário, e de outras companhias para garantir contratos com a Petrobras na costa da África e no Golfo do México.

A delegada disse que outras empresas internacionais provavelmente estão envolvidas.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro. 16/12/2014 REUTERS/Sergio Moraes