Distribuidoras compram 2.105 MW médios de energia em leilão a preço próximo do teto

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 19:05 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - As distribuidoras de eletricidade contrataram 2.105 megawatts (MW) médios de energia no leilão de ajuste realizado nesta quinta-feira, pouco mais da metade do que precisam para o primeiro semestre, mas a preços que não aliviam financeiramente as concessionárias e consumidores.

O preço médio no leilão de 387,07 reais por megawatt-hora (MWh) ficou muito próximo do teto do preço de energia praticado no curto prazo dado pelo Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), de 388,48 reais por MWh.

"Do ponto de vista de quantidade, de montante de dinheiro a ser gasto com a energia, é a mesma coisa. Só que o leilão deu mais previsibilidade", disse o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, à Reuters.

A tarifa de energia atual cobrada dos consumidores cobre, em média, apenas o custo de 140 reais por MWh para contratação de energia. Assim, a diferença entre o preço médio contratado no leilão e esse valor de cobertura tarifária gera um gasto adicional de 4,1 bilhões de reais para as distribuidoras, segundo Leite.

Ele espera que esses gastos entrem no reajuste extraordinário de tarifas esperado para ocorrer em fevereiro, assim como uma estimativa de custos que as concessionárias terão pela descontratação que ainda ficou pendente.

A descontratação das distribuidoras neste primeiro semestre chegava a 4 mil MW médios antes do leilão desta quinta-feira, e foi agravada pela falta de energia da hidrelétrica São Simão, que não está disponível conforme era esperado.

A usina fez parte do pacote de renovação das concessões e o repasse de sua energia às distribuidoras por meio de cotas era esperado para iniciar em janeiro deste ano, sendo que a partir de fevereiro, as distribuidoras contariam com cerca de 1.217 MW médios dessa usina.

Mas essa energia não está disponível já que a Cemig conseguiu liminar da Justiça para manter a hidrelétrica sob sua operação até a conclusão do julgamento do mandado de segurança no qual a companhia está discutindo seu direito de prorrogação do prazo de concessão da usina de Jaguara.   Continuação...

 
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