Cenário para represas do Sudeste é pior que em 2014, volta temor de racionamento

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 21:53 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - As previsões para a situação dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste do país em janeiro pioraram e as condições do período úmido atual têm se mostrado mais desfavoráveis do que no ano passado, frustrando expectativas iniciais de meteorologistas e do setor elétrico.

Diante de tal cenário, em que as chuvas têm se mostrado bem mais escassas do que o esperado, uma possível necessidade de racionamento do consumo de eletricidade volta a rondar o planejamento de consultorias e comercializadoras de energia do país.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu a 44 por cento da média histórica a estimativa de chuvas esperadas para reservatórios do Sudeste em janeiro, segundo o informe do Programa Mensal de Operação divulgado nesta sexta-feira, número antecipado mais cedo por fontes à Reuters.

A estimativa da semana passada era de que as chuvas na região seriam equivalentes a 56 por cento da média, próximo do que ocorreu em janeiro do ano passado, quando as chuvas foram equivalentes a cerca de 54 por cento da média histórica. As previsões atualizadas representam uma grande redução ante a estimativa de afluências equivalentes a 90 por cento da média feita pelo ONS no final de dezembro.

O ONS reduziu também o valor estimado para o nível operativo de reservatórios ao final de janeiro, sendo que as represas do Sudeste devem chegar a 18,5 por cento, ante estimativa anterior de que ficassem em 22,7 por cento.

A estimativa atualizada sinaliza que não haverá recuperação dos reservatórios em janeiro, como deveria ocorrer, e sim uma queda em relação ao nível atual das represas do Sudeste de 18,72 por cento e de 19,36 por cento ao fim de dezembro.

"Tem um sistema de alta pressão que não deixa chuvas saírem do Sul para o restante do Brasil, que atuou no ano passado e não estava previsto para esse ano", disse o gerente de regulação da Safira Energia, Fábio Cuberos.

O meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento disse que esse sistema deve começar a enfraquecer na semana que vem e há expectativa de retorno das chuvas nos últimos 10 dias de janeiro. "Mas isso não vai compensar essas duas primeiras semanas de janeiro e a última semana de dezembro que tiveram pouquíssima chuva", disse ele.   Continuação...

 
Vista aérea da represa Atibainha, parte do reservatório da Cantareira, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, em novembro. 18/11/2014 REUTERS/Nacho Doce