ENTREVISTA-Arquiteto do "Abenomics" diz que não é preciso mais afrouxamento no Japão

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 10:08 BRST
 

Por Leika Kihara e Yuko Yoshikawa

TÓQUIO (Reuters) - O banco central do Japão não precisa afrouxar mais a política monetária neste ano a menos que a economia seja afetada por um sério choque externo, afirmou à Reuters nesta segunda-feira Kozo Yamamoto, um dos arquitetos das políticas do primeiro-ministro Shinzo Abe conhecidas como "Abenomics".

O banco central surpreendeu os mercados ao expandir seu programa de estímulo monetário em outubro do ano passado para tentar impedir que a queda dos preços do petróleo, e a subsequente desaceleração na alta dos preços, adiasse o cumprimento de sua meta de inflação de 2 por cento.

Desde então os preços do petróleo caíram mais 50 por cento e a inflação ao consumidor foi abaixo de 1 por cento, mantendo o banco central sob pressão.

Yamamoto, especialista em política monetária no Partido Democrata Liberal de Abe, afirmou que o peso sobre o consumo da alta do imposto sobre vendas, junto com a queda do petróleo, significa que o banco central não deve cumprir sua meta de inflação durante o ano fiscal que começa em abril.

Mas na ausência de choques externos inesperados, o banco central não precisa expandir seu estímulo de novo neste ano porque os efeitos de seu afrouxamento monetário em outubro do ano passado deve começar a impulsionar a economia por volta deste verão, disse ele.

"O que mais o banco central pode fazer? Acho que pode conter as ações e adotar uma postura de esperar para ver por enquanto", disse Yamamoto à Reuters em entrevista.

O programa de estímulo do banco central está entre os três pilares do "Abenomics", um misto de políticas de estímulo e estratégia de crescimento para tirar a economia de 15 anos de deflação.

As declarações de Yamamoto, que é próximo de Abe, sugerem que o governo não sente uma necessidade iminente de pressionar o banco central a oferecer novo estímulo.

"O Japão provavelmente verá a inflação atingir 2 por cento no ano fiscal de 2016", disse ele, acrescentando que custos mais baratos de combustível permitirão que as famílias gastem mais com outros itens, mantendo a economia em "muito boa forma".