Alta da demanda de energia leva a apagão orquestrado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 20:19 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Um apagão orquestrado atingiu pelo menos 10 Estados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, na tarde desta segunda-feira, após o aumento na demanda por energia no horário de pico ter desequilibrado condições de operação do sistema elétrico do país.

Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS) elétrico, o desequilíbrio fez o órgão exigir que distribuidoras de energia fizessem um corte seletivo no fornecimento para restabelecer as suas condições normais. O corte atingiu cerca de 5 por cento da carga do sistema nacional, segundo ONS.

Os Estados atingidos pela medida foram São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

Além de ter causado o blecaute, o incidente derrubou as ações de empresas do setor na bolsa de valores paulista e causou uma série de transtornos, como falhas em sistemas de transporte público.

"Restrições na transferência de energia das Regiões Norte e Nordeste para o Sudeste aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica", disse o ONS em nota.

Em seguida, houve o desligamento de unidades geradoras de energia em 10 usinas do país, incluindo a nuclear Angra I, totalizando 2.200 megawatts (MW). Com isso, houve a redução da frequência da eletricidade do normal de 60 para 59 Hertz (Hz).

Segundo um especialista em setor elétrico do governo federal que pediu para não ser identificado, quedas de frequência ocorrem quando há algum tipo de desequilíbrio, mesmo que momentâneo, entre a oferta e a demanda.

A fonte acrescentou que o Sudeste brasileiro vive hoje uma situação delicada porque sua geração de energia está reduzida por conta da falta de água nos reservatórios das hidrelétricas. Com isso, a região está dependendo da importação de energia do Nordeste e do Sul para cobrir todo seu consumo.   Continuação...