Pacote de aumento de impostos piora expectativas e inflação pode ficar acima de 7% neste ano

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 17:09 BRST
 

Por Bruno Federowski e Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O pacote com aumento de impostos anunciado na noite de segunda-feira pelo governo federal, que incluiu tributos sobre combustíveis, piorou ainda mais as expectativas de inflação para este ano, com projeções acima de 7 por cento, cada vez mais longe do teto da meta oficial.

Se confirmada, a alta anual do IPCA seria a maior em mais de uma década, mas ainda não o suficiente para especialistas acreditarem em aperto monetário maior pelo Banco Central, uma vez que a atividade econômica fraca e a perspectiva de maior rigor fiscal devem, com o tempo, gerar alívio nos preços.

"Fundamentalmente, vai sobrar para a atividade", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, que elevou em 0,5 ponto percentual a sua estimativa de alta do IPCA para este ano, a 7,3 por cento, após o anúncio do pacote de medidas fiscais.

A última vez que a inflação oficial do país ficou acima de 7 por cento foi em 2004, quando o IPCA subiu 7,60 por cento. A meta oficial é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Última pesquisa Focus do BC com economistas de instituições financeiras, feita antes do aumentos dos tributos, mostrou que as estimativas eram de que o IPCA subiria 6,67 por cento neste ano, com expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,38 por cento.

Entre as quatro medidas tributárias divulgadas na véspera, que devem elevar a arrecadação neste ano em 20,63 bilhões de reais, a que pesa mais sobre os preços é o aumento das alíquotas da Cide e do PIS/Cofins que incidem sobre combustíveis.

Como a Petrobras já informou que os impostos serão repassados aos preços aos consumidores, Gonçalves espera que o preço da gasolina suba entre 8 e 9 por cento na bomba e o do diesel, cerca de 3 por cento.

Mesmo com a piora cada mais acentuada sobre as expectativas de inflação, especialistas consultados pela Reuters não esperam que o BC possa ser mais agressivo na elevação da taxa básica de juro, hoje em 11,75 por cento ao ano, para não afetar ainda mais a já frágil atividade econômica.   Continuação...

 
REUTERS/Paulo Whitaker