Fabricantes de cosméticos querem conversar com governo sobre aumento do imposto

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 21:14 BRST
 

Por Marcela Ayres e Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - As fabricantes de cosméticos querem discutir com o governo federal as implicações do aumento da carga tributária do setor anunciado na véspera, afirmou nesta terça-feira a entidade que representa o setor.

O governo anunciou na segunda-feira que irá alterar a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de cosméticos, equiparando os atacadistas aos produtores industriais, sem aumento de alíquota. A medida integra o mais recente pacote de mudanças fiscais, destinado a elevar a arrecadação em mais de 20 bilhões de reais em 2015.

"O setor quer ter a oportunidade de mostrar que as implicações das medidas anunciadas pelo governo, se aplicadas, prejudicarão o desempenho econômico desta indústria", disse João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) em nota.

Segundo o analista Guilherme Assis, da corretora Brasil Plural, o governo tentará com a medida alcançar a taxação sobre a distribuição dos produtos, acabando com planejamento tributário que permitia às empresas pagar menos impostos.

"O impacto é difícil de mensurar, o governo não divulgou a memória de cálculo, então precisamos ter um pouco mais de detalhes", afirmou.

Em nota a clientes, a Elite Corretora pontuou que atualmente muitos produtores abrem empresas atacadistas, que pagam menos impostos, para vender seus produtos a preços mais baixos --uma manobra que seria barrada pela nova medida.

Em nota, o governo disse que a investida "equaliza a tributação ao longo da cadeia de produção e distribuição desse setor, evitando que se induzam acúmulos de margens acentuados no final dessa cadeia".

Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é de um impacto na arrecadação de 381,41 milhões de reais neste ano, a partir de junho. Para um ano completo, o montante é estimado em 653,85 milhões de reais.

A ação da fabricante de cosméticos Natura fechou estável nesta terça-feria, depois de recuar quase 3 por cento no início do pregão, enquanto o papel da empresa de consumo Hypermarcas fechou em queda de 0,23 por cento, após cair 1,3 por cento.