21 de Janeiro de 2015 / às 00:05 / 3 anos atrás

Governo anuncia reforço de energia para a região Sudeste/Centro-Oeste

Torres de transmissão de energia elétrica em Santo Antonio do Jardim, no interior de São Paulo, em fevereiro do ano passado. 06/02/2014Paulo Whitaker

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou nesta terça-feira um reforço de energia para a região Sudeste/Centro Oeste, um dia após 10 Estados e o Distrito Federal terem sofrido um apagão orquestrado.

A região terá um reforço de 1.500 MW de energia, incluindo 300 MW adicionais de Itaipu, 400 MW das regiões Nordeste e Norte e a volta da operação de termelétricas da Petrobras que estavam em manutenção.

"As ações que acabei de anunciar já estão sendo efetuadas pelo ONS. Estamos preparados para atender às demandas de pico", disse o ministro, que descartou um racionamento de energia.

"Deus é brasileiro e também temos que contar que ele vai trazer um pouco de umidade e chuva para termos mais tranquilidade", acrescentou em entrevista concedida em Brasília.

Especialistas do setor apontam que o sistema está operando no limite, com praticamente todas as termelétricas acionadas para ajudar a preservar os reservatórios das hidrelétricas. As represas estão em níveis baixos recordes e seguem em queda num período em que deveriam encher.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico(ONS), Hermes Chipp, negou que o incidente de segunda-feira tenha ocorrido por incapacidade da geração para atender a demanda durante picos de consumo.

"Nós não temos ainda restrição de potência. Estamos operando com o nível de segurança", disse, afirmando que não está sendo usada toda a potência excedente de energia no país, que fica no Norte/Nordeste, para não elevar o risco de operação do sistema de transferência de energia Norte-Sul.

Segundo Chipp, sistemas de proteção de usinas levaram ao desligamento automático indevido de cerca de 2.200 megawatts (MG) de usinas de geração, o que levou ao corte programado de carga de energia. O motivo está sendo investigado.

"Esse desvio de frequência seria perfeitamente administrado não fosse a perda de 2.200 MW de geração", disse Chipp a jornalistas, após reunião do ONS, no Rio de Janeiro. "Estamos fazendo os ajustes para que isso não se repita", disse.

O diretor acrescentou que o desligamento da usina Angra 1, que não deveria ter ocorrido por atuação de seu sistema de proteção, será investigado de forma mais aprofundada. A usina já voltou a gerar energia para o sistema.

O ministro disse que houve uma falha no capacitor do sistema de transmissão Norte-Sul colaborou para acionar a ação de proteção da usina Governador Ney Braga, levando ao seu desligamento automático.

Braga disse que o governo federal terá um diagnóstico completo sobre o blecaute que ocorreu na segunda-feira em 90 dias.

Por Nestor Rabello e Anna Flávia Rochas

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