Opep e petroleiras divergem em Davos sobre colapso dos preços do petróleo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 17:03 BRST
 

Por Dmitry Zhdannikov

DAVOS (Reuters) - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) defendeu nesta quarta-feira sua decisão de não intervir para impedir o colapso do preço do petróleo, descartando advertências por parte das principais empresas de energia de que a política do cartel poderia levar a uma enorme escassez de oferta com a extinção dos investimentos.

A tensão que a redução pela metade dos preços do petróleo desde junho está colocando sobre os produtores foi exposta quando Omã, que não é membro da Opep, expressou sua primeira crítica pública direta à decisão da organização, em novembro, de não cortar a produção e se concentrar em participação de mercado.

Os preços do petróleo desabaram para menos de 50 dólares o barril como resultado de um grande excesso de oferta, devido, principalmente, a um forte aumento na produção dos EUA, bem como o enfraquecimento da demanda global.

O rápido declínio deixou vários países produtores de petróleo menores cambaleando e obrigou as empresas de petróleo a reduzirem orçamentos.

Falando no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, os chefes de duas das maiores empresas de petróleo do mundo alertaram que a redução dos investimentos na produção futura poderia levar a uma escassez de oferta e a um dramático aumento de preços no futuro.

Claudio Descalzi, presidente da italiana Eni, disse que, a menos que a Opep atue para restaurar a estabilidade dos preços do petróleo, esses poderiam ultrapassar os 200 dólares por barril daqui a alguns anos.

"O que nós precisamos é de estabilidade ... A Opep é como o banco central para o petróleo, que deve dar estabilidade aos preços para poder investir de maneira regular," disse Descalzi à TV Reuters.

Ele espera que os preços fiquem baixos por 12 a 18 meses, mas, em seguida, inicie uma recuperação gradual com a redução da produção nos Estados Unidos.   Continuação...