Defesa de Executivo da Engevix diz que governo usou Petrobras para comprar apoio no Congresso

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 21:04 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os advogados de Gerson Almada, executivo da empreiteira Engevix preso durante a operação Lava Jato, disseram que o governo federal comandado pelo PT usou a Petrobras para obter dinheiro para a compra de apoio de parlamentares no Congresso Nacional.

Na defesa enviada por escrito à Justiça Federal do Paraná, juntada ao processo que tem Almada como um dos réus na noite de quarta-feira, os advogados afirmam que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, exigia o pagamento de propina de empresários sob ameaça de prejudicá-los em contratos com a companhia.

"Faz mais de doze anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano de manutenção desse partido no governo tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública, em especial, em empresas públicas e em sociedades de economia mista", afirma a defesa de Almada.

"O pragmatismo nas relações políticas chegou, no entanto, a tal dimensão que o apoio no Congresso Nacional passou a depender da distribuição de recursos a parlamentares."

Os advogados afirmam que a Petrobras foi escolhida pelo governo "para geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias" e que Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, era um dos encarregados de "exigir" dos empresários o pagamento de propina.

"O que ele fazia era ameaçar, um a um, aos empresários, com o poder econômico da Petrobras. Prometia causar prejuízos no curso de contratos", acusam os advogados do executivo.

Procurada, a assessoria de imprensa do governo federal disse que não vai comentar o caso. A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido para falar sobre o assunto.

Costa foi preso pela operação Lava Jato e está atualmente em prisão domiciliar depois de fechar um acordo de delação premiada com a Justiça, sob o qual aceitou devolver recursos que teriam sido desviados e concordou em colaborar com as investigações em troca de redução de sua pena.

Em depoimentos à Justiça, ele e o doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos operadores do esquema e que também fez um acordo de delação premiada, afirmaram que algumas das principais empreiteiras do país formaram um cartel nos contratos com a estatal.   Continuação...