ANÁLISE-Mesmo com venda da Portugal Tel, mercado segue cético sobre oferta de Oi pela TIM

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 15:51 BRST
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Oi deve fazer uma oferta de compra da TIM após conseguir aprovação para venda de seus ativos portugueses, apesar do mercado ainda se mostrar cético sobre a real capacidade do grupo brasileiro de realizar a operação, quase cinco meses depois de ter anunciado a contratação do BTG Pactual para desenhar uma proposta pela rival.

O ceticismo do mercado vai além: no final das contas, todo esse movimento pode levar a uma proposta da TIM pela Oi. A empresa do grupo Telecom Italia tem um valor de mercado quase sete vezes maior que a Oi, que possui uma oferta de serviços e dimensão geográfica mais ampla que a rival.

A avaliação dos analistas ocorre em um momento em que o presidente do Conselho de Administração da Telecom Italia, Giuseppe Recchi, e o presidente-executivo da companhia italiana, Marco Patuano, planejam vir ao Brasil na próxima semana para avaliar opções para uma oferta, disseram duas fontes próximas dos planos dos executivos.

    A venda dos ativos portugueses abre caminho para que a oferta de compra da TIM pela Oi juntamente a Claro e Vivo ocorra "no curto prazo", dependendo apenas de aprovações regulatórias da compra da GVT pela Telefónica, controladora da Vivo, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Procuradas, Telefônica Vivo e TIM não comentaram o assunto. Representantes de Claro e Oi não puderam se pronunciar de imediato.

A Claro já tinha manifestado publicamente ter sido abordada pela Oi para uma oferta pela TIM. O presidente da empresa, Carlos Zenteno, afirmou em setembro que a empresa foi sondada pelo BTG para uma oferta e disse que a companhia estava aberta a analisar oportunidades de consolidação no mercado.

    Caso a oferta da Oi pela TIM seja efetivamente realizada, o valor ficará entre 30 bilhões e 40 bilhões de reais, sendo que a Oi deverá arcar com uma fatia maior da proposta, uma vez que tem menor participação no mercado de celular na comparação com Vivo e Claro, segundo analistas.

    Para o estrategista da XP Investimentos Célson Plácido mesmo com os cerca de 22 bilhões de reais advindos da venda dos ativos portugueses, a Oi não tem condições de entrar em uma oferta pela TIM, devido à sua alta dívida líquida, que encerrou o terceiro trimestre em cerca de 48 bilhões de reais.   Continuação...