S&P corta rating da Vale para BBB+; cita baixos preços do minério

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 20:01 BRST
 

(Reuters) - A agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor's cortou nesta sexta-feira o rating de longo prazo em moeda estrangeira atribuído a mineradora Vale, citando a queda dos preços do minério de ferro no mercado mundial.

A nota da maior produtora de minério de ferro do mundo foi reduzida para "BBB+", ante "A-". A perspectiva da nota passou de negativa para estável.

Segundo a agência, os fundamentos do mercado de minério de ferro continuam enfraquecendo e assim corroendo a geração do fluxo de caixa operacional da Vale, enquanto os gastos de capital devem continuar altos.

"O rebaixamento reflete nossa expectativa de que o perfil de risco financeiro da Vale enfraqueça nos próximos dois anos a níveis incompatíveis com a nossa classificação anterior", afirmou a S&P em relatório.

Apesar do rebaixamento, a Vale continua sendo a empresa brasileira melhor avaliada pela S&P e tendo uma nota superior à do Brasil (BBB-).

Os preços do minério de ferro no mercado à vista recuaram nesta sexta-feira para perto do menor nível desde 2009, caindo pela terceira semana seguida, afetados pela oferta abundante num momento de demanda mais lenta por aço na China. [L1N0V21AO]

O rebaixamento também segue a revisão pela S&P da perspectiva para o preço do minério de ferro a 65 dólares por tonelada em 2015 e 2016 e para 70 dólares por tonelada em 2017.

A instituição afirmou esperar queda nos custos de frete e de produção para compensar a grave queda de preço do minério, porque o custo do combustível para os navios que transportam o minério até o destino final caíram 40 por cento e o real desvalorizou-se em 15 por cento no últimos seis meses.

A S&P disse que segue avaliando o perfil de risco da Vale como forte, com base na grande fatia do mercado, seu minério de alta qualidade e o baixo custo de produção.

(Por Aluisio Alves, reportagem adicional de Guillerme Parra-Bernal)

 
Sede da mineradora Vale no Rio de Janeiro 15/12/ 2014. REUTERS/Pilar Olivares