CENÁRIOS-Varejistas começam 2015 com pressão para elevar preços em ambiente difícil

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015 17:46 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - Se o ano de 2014 não foi dos melhores para o varejo, 2015 promete pressão adicional sobre as companhias do setor no Brasil, que devem se deparar com o dilema de repassar preços e perder apelo em vendas, ou priorizar produtos mais baratos para seduzir os consumidores, sacrificando suas margens.

Segundo analistas e especialistas do setor, as recentes medidas fiscais do governo federal para aumentar a arrecadação devem ter impacto direto sobre a demanda, seja encarecendo a tomada de crédito com aumento do IOF, seja tornando os artigos mais caros pelo possível repasse de tributos mais altos.

Pelo menos para o início de 2015, as perspectivas sobre o desempenho do setor são mais modestas que um ano atrás. Em pesquisa com empresas associadas, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) projetou um crescimento médio nas vendas de 5,2 por cento em janeiro, 4,8 por cento em fevereiro e 4,7 em março, na comparação com iguais meses do ano passado.

Em 2014, as estimativas do IDV para os mesmos meses eram de alta de 6,4 por cento em janeiro, 9,7 por cento em fevereiro e 6,9 por cento em março. A entidade representa empresas como Lojas Americanas e Magazine Luiza.

"A maior parte das empresas brasileiras estão bastante ajustadas em relação a despesas, estão com pouca gordura. Então provavelmente é isso que vai acontecer - o repasse aos consumidores nos preços dos produtos", afirmou o presidente da varejista de moda Lojas Renner, José Galló.

Ele ressalvou, no entanto, que diante dos desafios no ambiente macroeconômico, as companhias seguirão buscando eficiências antes de mexerem nos preços.

"Tenho certeza que todos vão procurar em primeiro lugar a eficiência, a racionalização e o que pode ser feito. No último caso que repassa. A gente sabe que mercado é competitivo", afirmou.

A cautela em elevar o valor dos produtos tem como pano de fundo um horizonte que se desenha ainda mais fraco para o varejo que no ano passado, quando a atividade do comércio teve, segundo a Serasa Experian, o pior desempenho em 11 anos. [nL1N0UM0I7]   Continuação...